Zé Ibarra lança AFIM: Um convite para celebrar a vida e o amor em suas diversas nuances
O aguardado segundo álbum solo de Zé Ibarra, intitulado AFIM, tem lançamento previsto para junho de 2025, prometendo uma sonoridade renovada e profunda.
Diferente de sua estreia, Marquês, 256. (2023), que se destacava pela voz e violão em um tom mais solitário e introspectivo, AFIM amplia os horizontes com arranjos ricos, texturas envolventes e versos que convidam à reflexão e à emoção.
Neste novo trabalho, o compositor carioca se apresenta de forma mais presente e luminosa, abraçando uma estética mais pop tanto na produção quanto na interpretação vocal. Conforme informado na divulgação do álbum, AFIM é um disco que busca a conexão, onde o artista deseja que sua música seja pop no sentido de sair de um comunicador e alcançar um receptor, tornando-se compreensível e sensível.
O Amor em Foco: Além do Romântico
O tema central de AFIM é o amor, mas não se limitando ao romântico. Zé Ibarra expande essa concepção para incluir o amor pela vida, pelo movimento e pela própria música. O título, retirado da faixa Essa Confusão, originalmente do álbum PIQUE (2024) de Dora Morelenbaum, ganha um novo significado: “afim de estar vivo”, em contraste com o tradicional “afim de você”.
Diálogos Musicais e Referências Diversas
Zé Ibarra explora a ideia de expandir seu universo subjetivo, utilizando “vozes emprestadas” para transformar discursos e universos de composição. As referências musicais que permeiam AFIM são vastas, abrangendo desde a MPB e o jazz até o pop e a música experimental. O álbum dialoga com obras icônicas como Super Trouper (1980) do Abba e Suite Bergamasque (1905) de Claude Debussy, além de trabalhos contemporâneos como RELA (2024) de Negro Leo e Igor (2019) de Tyler, the Creator.
Uma Nova Linguagem Pop e Carioca
Em contraste com a sonoridade acústica e clássica da MPB presente em Marquês, 256., AFIM conta com um time de músicos talentosos que colaboraram na criação de arranjos mais encorpados. A banda inclui Lucas Nunes (órgão e co-produtor), Alberto Continentino (baixo), Daniel Conceição e Thomas Harres (bateria e percussão), Rodrigo Pacato (percussão), Chico Lira (rhodes) e Guilherme Lirio (guitarra), além dos sopros do Copacabana Horns. O álbum também reflete a vivência carioca de Zé Ibarra, incorporando um clima luminoso e ensolarado, e um lado mais debochado do artista, buscando quebrar a imagem construída em seu trabalho anterior.
Coragem Criativa e a Música-Tese “Transe”
O processo criativo de AFIM foi marcado por inseguranças e medos, levando Zé Ibarra a regravar faixas diversas vezes. O apoio de Chico Lira, que o encorajou a seguir sua intuição, foi fundamental. A faixa Transe, indicada ao Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa, é considerada por Ibarra a música-tese do disco. Ela aborda, pela primeira vez em sua discografia, temas como loucura, paranoia e angústia, explorando um “amor traumático, problemático, do nosso tempo”, como um ghosting no século XXI.
Temas que Desafiam e Provocam
Além do amor em suas múltiplas facetas, AFIM também mergulha em outras questões sociais e existenciais. A faixa Da Menor Importância, inicialmente apresentada no disco de Maria Beraldo, aborda a androginia, questionando a percepção de gênero. Já Hexagrama 28, com letra de Sophia Chablau, brinca com as ambiguidades do amor e da paixão pela vida, sugerindo que a música em si não tem relação direta com o amor romântico, adicionando camadas de complexidade ao conceito do álbum.