Rock 2025: O Gênero Que Ninguém Esperava Está Mais Vivo e Rebelde do Que Nunca, Desafiando a Era Digital

Rock não morreu: a cena underground pulsa com novas bandas e um espírito rebelde em 2025

O século XXI parecia ter decretado o fim do rock como força dominante. Pop, hip-hop e outros gêneros tomaram o palco principal, relegando o rock a um nicho. As premiações, como o Grammy, deixaram de dar destaque ao gênero, e artistas clássicos, embora ainda lotem arenas, representam um passado glorioso.

No entanto, uma análise mais atenta revela que o rock, teimosamente, persiste. Longe dos holofotes comerciais, novas bandas e artistas exploram um vocabulário musical vasto, misturando influências e quebrando rótulos. Essa liberdade, paradoxalmente, pode ser a chave para a sua sobrevivência e renovação.

Em 2025, o rock prova que ainda tem muito a oferecer, com artistas que abraçam a imperfeição e a energia crua. Conforme informações divulgadas, o gênero está longe de estar saturado, mostrando uma vitalidade surpreendente em meio à produção musical massificada e à ascensão da inteligência artificial.

Geese: o queridinho controverso que divide opiniões

A banda nova-iorquina Geese tem sido um dos nomes mais comentados de 2025. Seu terceiro álbum, “Getting Killed”, apresenta os vocais peculiares de Cameron Winter, navegando entre letras sinceras e momentos absurdos. A banda divide críticos, com alguns aclamando-a como a nova sensação e outros a considerando uma farsa.

A performance de Winter no palco chamou tanta atenção que rendeu uma paródia no “Saturday Night Live”, evidenciando o impacto cultural, mesmo que controverso, do grupo. Essa capacidade de gerar discussões é uma marca do rock.

Turnstile e The Armed: hardcore reinventado e fúria sonora

Vindo de Baltimore, o Turnstile, com 15 anos de carreira, prova que o hardcore pode evoluir. Seu álbum “Never Enough” mescla elementos eletrônicos com temas de conexão e perda, mostrando uma faceta mais polida. Em contraste, The Armed, também com raízes no punk e hardcore, eleva o frenesi e a distorção em “The Future Is Here and Everything Needs to Be Destroyed”, um grito de caos e energia.

M(h)aol, Wednesday e Water From Your Eyes: diversidade e experimentação

A cena independente é um caldeirão de criatividade. A banda irlandesa M(h)aol, com seu pós-punk conciso e dissonante em “Something Soft”, homenageia a força feminina. Já Wednesday, da Carolina do Norte, liderada por Karly Hartzman, funde grunge explosivo com country-rock em “Bleeds”.

A dupla Water From Your Eyes, de Nova York, explora o indie-lo-fi e o math-rock, distorcendo e experimentando com sons em seu trabalho. Essa diversidade de abordagens demonstra a vitalidade do rock em 2025.

O apelo humano contra a IA e a beleza da imperfeição

Na era da inteligência artificial e da produção musical facilitada por computadores, o rock se destaca como um bastião da humanidade. A banda fictícia Velvet Sundown, gerada por IA, exemplifica a mediocridade que pode surgir da perfeição digital. Em contrapartida, o rock celebra a imperfeição, o atrito e a paixão.

A força de uma banda de rock reside na sua natureza coletiva e contenciosa, na união de personalidades distintas e na busca por sinergias improváveis. A experiência física de tocar instrumentos, a voz levada ao limite e os dedos calejados são elementos insubstituíveis.

Uma banda de rock é uma presença física imponente, um aglomerado de instrumentos, amplificadores e equipamentos que podem falhar e, nesse processo, gerar sons inesperados e adorados. O rock faz acontecer em tempo real, algo que as máquinas, por mais avançadas que sejam, ainda não conseguem replicar.

O rock invade o pop e a persistência da autenticidade

Mesmo que o rock tocado à mão não domine o pop de alto nível, sinais de sua influência são notados. Justin Bieber, por exemplo, colaborou com Dijon em seus álbuns “Swag” e “Swag II”, incorporando elementos de guitarra e uma pegada improvisada em faixas como “Daisies”.

Essa incursão sugere um anseio por um toque humano em meio à crescente automação. Bieber, conhecido por antecipar tendências, pode sentir essa necessidade de autenticidade.

Ninguém espera que o rock retorne ao topo das paradas. Gerações foram moldadas por sons sintéticos e batidas precisas, e os algoritmos de streaming favorecem o que é popular. A IA, por sua vez, tende a replicar o que gera mais cliques.

O rock, provavelmente, continuará sendo uma preferência minoritária, e isso pode ser seu maior trunfo. Quando se tornou mainstream demais, o gênero se autocorrigiu com o punk, o thrash e o grunge. Sua melhor chance de sobrevivência no século XXI é permanecer à margem, abraçando o desleixo, a intuição e a imperfeição.

Ser um trabalho árduo, caótico e belo em sua própria desordem. O rock, em sua essência, é a celebração da obstinação humanista e da paixão que desafia as convenções, provando que, em 2025, o gênero está mais vivo e relevante do que nunca.

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Sidney Pereira

Jornalista e músico de São Paulo, apaixonado por desvendar cifras e compartilhar seu conhecimento. Graduado em Jornalismo pela UNIFESP, combina sua habilidade na escrita com sua paixão por violão e piano, proporcionando conteúdo acessível e inspirador para músicos de todos os níveis em seu blog dedicado às artes musicais.
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