Bob Weir: As 10 Músicas Essenciais do Ícone do Grateful Dead Reveladas pelo The New York Times
Bob Weir, membro fundador e guitarrista do lendário Grateful Dead, faleceu aos 78 anos, deixando um legado musical inestimável. Frequentemente ofuscado por Jerry Garcia, Weir provou ser muito mais do que um coadjuvante, desenvolvendo um estilo único e contribuindo significativamente para a identidade sonora da banda.
De baladas country a melodias psicodélicas, Bob Weir explorou uma vasta gama de influências, sempre com uma criatividade inquieta. O The New York Times compilou uma lista com suas 10 performances mais notáveis, com e sem o Grateful Dead, que celebram sua versatilidade e talento.
Esta seleção oferece um mergulho profundo na obra de um artista que, com seu jeito peculiar de tocar guitarra e sua voz expressiva, ajudou a definir o rock psicodélico e a música americana. Conheça as canções que marcaram a trajetória de Bob Weir e solidificaram seu lugar na história da música, conforme apurado e divulgado pelo The New York Times.
“Sugar Magnolia”: A Afirmação Vocal de Bob Weir
Embora já tivesse assumido os vocais principais em faixas como “Born Cross-Eyed”, foi em “Sugar Magnolia” que Bob Weir realmente se consolidou como vocalista dentro do Grateful Dead. Essa ode apaixonada à sua então companheira, Frankie Weir, exala uma felicidade inocente e tingida de tie-dye, com uma energia galopante.
A canção, que também evidencia a rusticidade que Weir trazia para o som do Dead, tornou-se um dos momentos mais queridos dos fãs. Sua interpretação sincera e a melodia cativante a transformaram em um clássico instantâneo, mostrando a capacidade de Weir de transmitir emoção pura através de sua voz.
“Truckin'”: A Cola Que Une a Viagem do Dead
Com letra de Robert Hunter e música de Garcia, Weir e Lesh, “Truckin'” é um esforço coletivo que narra as desventuras do Grateful Dead. A interpretação de Weir nas estrofes é o que verdadeiramente une a canção, navegando por versos complexos com uma habilidade impressionante.
A performance de Weir em “Truckin'” demonstra sua maestria em dar vida a narrativas musicais, transformando uma série de incidentes em uma jornada sonora coesa e inesquecível. A canção é um testemunho da colaboração e do talento individual de cada membro da banda.
“The Other One”: A Voz e as Letras de Weir em Destaque
Originalmente parte da complexa “That’s It for the Other One”, “The Other One” se destacou como uma vitrine para a voz de Bob Weir. As letras, escritas pelo próprio Weir, oferecem um vislumbre de sua juventude com a banda, incluindo experiências com os Merry Pranksters.
Quando desmembrada como uma faixa independente, “The Other One” provou a capacidade de Weir de se adaptar às melodias mais tortuosas do repertório do Dead. Sua voz carrega a tensão e a crueza necessárias para a narrativa, solidificando seu papel como um dos vocalistas principais da banda.
“Looks Like Rain”: A Vulnerabilidade Country de Weir
Um dos primeiros álbuns solo de Weir, “Ace”, apresentou “Looks Like Rain”, uma colaboração com seu letrista de longa data, John Perry Barlow. A canção é uma balada country pungente e uma das mais emocionais e vulneráveis de todo o catálogo de Weir e do Dead.
Com uma sonoridade majestosa, “Looks Like Rain” revela a paixão de Weir pela música country e pelas canções de cowboy. Sua interpretação despretensiosa e a profundidade lírica a tornam uma peça central em sua discografia, mostrando um lado mais íntimo do artista.
“Estimated Prophet”: A Tensão Vocal e a Guitarra Inovadora
Composta por Weir, Hunter e Mickey Hart, “Estimated Prophet” destaca a voz carregada de tensão de Weir, que soa verdadeiramente no comando da banda. Em performances ao vivo, como a registrada em “Europe ’72”, a música ilumina a interação entre os solos de Garcia e a abordagem radical de Weir à guitarra.
A forma como Weir dispensava padrões rítmicos tradicionais em favor de partes mais truncadas e imprevisíveis era uma marca registrada. “Estimated Prophet” é um exemplo perfeito dessa inovação, combinando a voz potente de Weir com uma instrumentação ousada.
“Blues for Allah”: O Boogie Funkeado e o Swamp Rock
Do álbum “Blues for Allah”, “Blues for Allah” apresenta as guitarras de Weir e Garcia em perfeita harmonia. Essa música se tornou uma contribuição involuntária do Dead ao subgênero swamp rock, com seu groove funkeado e influências do sul dos Estados Unidos.
O canto de Weir em “Blues for Allah” é totalmente sem malícia, em sintonia com a mensagem positiva de Barlow sobre a música. A faixa demonstra a versatilidade do Dead em explorar diferentes sonoridades, com Weir liderando com seu estilo vocal característico.
“Jack Straw”: A Voz Flexível e Composições Pouco Convencionais
Embora tocada muitas vezes com o Dead, a primeira versão de “Jack Straw”, gravada com a banda Kingfish durante um hiato do Dead em meados dos anos 1970, evidencia o grito flexível da voz de Weir e suas composições cada vez mais pouco convencionais.
Essa performance revela a evolução de Weir como músico e vocalista, mostrando sua capacidade de inovar e experimentar com diferentes formações e estilos. “Jack Straw” se tornou um marco em sua carreira solo e com outras bandas.
“Terrapin Station”: O Profeta ou o Louco?
Na faixa-título de “Terrapin Station”, o narrador, interpretado por Weir, é um profeta ou um louco? Weir canta de maneira tão severa e inabalável que é difícil dizer. A mistura de prog e reggae ao fundo aprofunda o mistério da faixa.
A performance do Dead no lendário show da Universidade Cornell, em 1977, é considerada obrigatória para entender a profundidade e o fascínio de “Terrapin Station”. A entrega vocal de Weir é crucial para a atmosfera enigmática da música.
“Hell in a Bucket”: O Rock Debochado e a Indignação Vocal
Considerada o rock mais debochado que Weir já enfrentou, “Hell in a Bucket” é um hino de ressentimento e revanchismo. Weir responde às letras com um rosnado deliciosamente indignado, deixando de lado sua voz de baladas.
A música, repleta de imagens de motoqueiros e términos amargos, mostra um lado mais agressivo e visceral de Weir. Sua performance vocal é crua e poderosa, transmitindo a intensidade das emoções descritas na letra.
“Only a River”: A Canção de Ninar do Cowboy Calejado
Em “Only a River”, de 2016, Weir evoca a imagem de um cowboy calejado em sua última jornada. Faixa de abertura de seu último álbum solo, “Blue Mountain”, a canção permanece como uma das mais evocativas de sua carreira.
Essa música, com sua atmosfera serena e lírica profunda, fecha com chave de ouro a lista das performances essenciais de Bob Weir. Ela demonstra a maturidade artística e a capacidade contínua de Weir de criar paisagens sonoras ricas e emocionantes, honrando suas raízes country.