Andy Bell do Erasure no Brasil: hits que pagam as contas e o legado queer no pop
O cantor britânico Andy Bell, voz inconfundível do Erasure, desembarca no Brasil para uma série de shows que celebram sua carreira solo e os eternos sucessos da banda. Com uma agenda intensa, Bell apresentará seu novo álbum, “Ten Crowns”, mesclando-o com clássicos que marcaram gerações.
Em entrevista, o artista de 61 anos revelou que cantar hits como “A Little Respect” não é frustrante, mas sim uma necessidade que sustenta sua trajetória. Para ele, essas músicas se tornaram parte da vida do público e ele se sente grato por isso.
Bell também comentou sobre o papel fundamental que o Erasure desempenhou na aceitação da cultura queer no mainstream mundial. Segundo o cantor, a banda sempre esteve ali, borbulhando na superfície, e isso tornou a cultura mais acessível e celebrada. Conforme informação divulgada pelo g1, o cantor adora ver casais heterossexuais que se conheceram em seus shows e que mostram a importância de suas músicas em momentos especiais. A nova visita ao país promete ser um marco, com passagens por Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo.
Turnê brasileira e novo álbum solo
A maratona de shows de Andy Bell começa no Rio de Janeiro, no Qualistage, e segue por outras capitais brasileiras. O repertório incluirá canções do seu terceiro álbum solo, “Ten Crowns”, elogiado pela crítica. Bell garante que a transição entre as novas músicas, os sucessos do Erasure e covers será fluida e imperceptível para o público.
O legado de “A Little Respect” e a gratidão pelos hits
Com mais de 40 anos de carreira como vocalista do Erasure, Andy Bell é conhecido por uma lista de sucessos que inclui “Blue Savannah”, “Love to Hate You”, “Oh L’amour”, “Always” e “Sometimes”. Sobre a repetição desses clássicos em seus shows, Bell é categórico: “Não é frustrante, porque são essas que pagam as contas”. Ele compara a situação com a de Frank Sinatra cantando “New York, New York”, ressaltando a responsabilidade e a gratidão por ter uma “música-chave” que ressoa com o público.
Erasure: pioneiros na aceitação queer e o futuro da banda
Andy Bell reflete sobre o impacto significativo que o Erasure teve na disseminação da cultura queer no cenário musical global. Ele destaca que a banda, com sua estética desinibida e exuberante, ajudou a “tornar tudo muito legal” e a promover uma aceitação mais ampla. “Adoro ver casais heterossexuais que se conheceram nos shows do Erasure ou que mostraram em seus casamentos a primeira vez em que dançaram ‘Always'”, afirma. O cantor também revelou que ele e Vince Clarke, seu parceiro no Erasure, estão compondo para um novo álbum da dupla, mas ainda sem definições.
Saúde e paixão pela dance music
Em 2004, Andy Bell tornou público que era portador do vírus HIV, diagnosticado em 1998. Ele enfatiza a importância de estar vivo e mostrar que é possível seguir em frente, se divertir e ser igual a todos, especialmente com o acesso a medicamentos que impedem a transmissão do vírus. Sua paixão pela dance music permanece intacta. Ele cita “Fade to Gray”, do Visage, e “I Feel Love”, de Donna Summer, como exemplos de músicas que o transportam para um estado de euforia instantânea, mantendo viva a chama da pista de dança.
Brasil: um carinho especial e memórias com David Bowie
O Brasil ocupa um lugar especial no coração de Andy Bell. Ele relembra com carinho as apresentações do Erasure abrindo para David Bowie em 1997, no Rio e em São Paulo. “Quase me senti inadequado em subir ao palco antes dele”, confessa, rindo. Bell expressa o desejo de passar mais tempo no país, atraído pela culinária e pela cultura local. Ele também menciona a amizade com brasileiros em Londres, descrevendo-os como “pessoas adoráveis”.