Escola de Música da UFRN Criará Curso Técnico de Acordeon, Dedicado ao Estudo e Ensino do Instrumento
Um passo histórico para a música popular brasileira está prestes a ser dado no Rio Grande do Norte. A Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) anunciou a criação de um curso técnico focado no acordeon, popularmente conhecido como sanfona. A decisão, tomada em dezembro do ano passado por meio de uma plenária entre professores da instituição, marca um avanço significativo na valorização de instrumentos emblemáticos da cultura nacional.
O novo curso técnico de acordeon tem previsão de início para 2027 e já é celebrado por músicos e pesquisadores como um feito substancial. A iniciativa reconhece o imenso peso cultural e histórico que o instrumento detém não apenas no Rio Grande do Norte, mas em toda a região Nordeste do Brasil. A sanfona é parte intrínseca de manifestações culturais, de grupos populares a bandas profissionais, e figura na história de grandes artistas potiguares.
Conforme informação divulgada pela própria EMUFRN, o diretor Zilmar de Souza classificou a criação da vaga como um **marco histórico** para a escola. Ele ressalta que a iniciativa expande a oferta de instrumentos da música popular, seguindo uma tendência consolidada em universidades brasileiras. O acordeon, por sua representatividade cultural, especialmente no Nordeste, torna-se um foco natural e estratégico para a formação acadêmica.
Acordeon na UFRN: Democratização e Fortalecimento da Identidade Cultural
A inclusão do acordeon no currículo da EMUFRN é vista como um movimento crucial para a democratização do acesso à formação musical especializada. O músico Chico Bethoven, filho de sanfoneiro, comemora a decisão, destacando que ela ajuda a romper hierarquias simbólicas entre diferentes instrumentos e repertórios musicais. Para ele, trata-se de uma ação estratégica que visa a valorização da cultura popular, a formação crítica de músicos e educadores, e o fortalecimento da identidade cultural brasileira no âmbito acadêmico.
Bethoven observa uma mudança gradual no foco musical acadêmico, que tem se expandido para além de abordagens puramente eurocêntricas. Ele cita o exemplo anterior do curso de saxofone popular e agora celebra a chegada do acordeon, um instrumento que abraça plenamente a rica cultura nordestina. Ele também ressalta o papel fundamental do professor Tiago de Quadros Carvalho, que integrou o grupo responsável por tornar o forró patrimônio imaterial pelo IPHAN, na concretização desta iniciativa.
Impacto Cultural e Comercial do Novo Curso de Acordeon
O impacto do curso técnico de acordeon na EMUFRN transcende o âmbito cultural, alcançando também o setor comercial. Chico Bethoven aponta que, enquanto o mercado para música de concerto em Natal e no Rio Grande do Norte pode ser limitado, o mercado para o forró e gêneros correlatos é imenso e diversificado. Ele desmistifica a ideia de que o forró se restringe ao São João, mencionando sua presença em eventos como o carnaval, evidenciando a demanda constante pelo som da sanfona.
A versatilidade do acordeon é outro ponto enfatizado pelo artista. Apesar de sua origem europeia, o instrumento foi totalmente reinterpretado e adotado pela música brasileira, tornando-se riquíssimo em suas sonoridades e aplicações. A tradição do Rio Grande do Norte em formar grandes sanfoneiros, com talentos que emergem de cidades como Nova Cruz, Pedro Velho e Currais Novos, no seridó e agreste, reforça a importância e o potencial deste novo curso, preparando uma nova geração de músicos qualificados.
Sobre o Instrumento Acordeon
O acordeon, também conhecido como sanfona ou gaita, é um instrumento musical de fole. Seu som é produzido pela vibração de palhetas metálicas, que são acionadas pelo movimento do fole e pelo toque nas teclas ou botões. Embora sua origem remonte à Ásia, o formato moderno do instrumento foi desenvolvido na Alemanha em meados do século XVIII, antes de se espalhar e ganhar características únicas em diversas culturas, como a brasileira.