Grammy 2026 é marcado por críticas a Trump e celebração brasileira inédita
A 68ª edição do Grammy Awards, realizada neste domingo (1), consagrou artistas renomados como Kendrick Lamar e celebrou a conquista histórica de Caetano Veloso e Maria Bethânia. No entanto, a cerimônia foi dominada por discursos contundentes de músicos contra a política de imigração do ICE (Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA) e o presidente Donald Trump.
A noite reservou um momento especial para o Brasil, com Caetano Veloso e Maria Bethânia recebendo o prêmio de Melhor Álbum de Música Global pelo disco “Caetano e Bethânia Ao Vivo”. A gravação celebra a turnê conjunta que lotou estádios em 2024 e 2025, marcando a primeira vez que uma cantora brasileira leva para casa um Grammy, em uma conquista que ecoou em todo o país.
A premiação, transmitida globalmente, transformou-se em um palco de protestos. Artistas aproveitaram o momento para expressar descontentamento com as ações do governo Trump e a atuação do ICE, órgão responsável pela fiscalização de imigração e que tem sido alvo de críticas por suas abordagens. As informações foram divulgadas em reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.
Vitória brasileira e reação emocionante
Caetano Veloso e Maria Bethânia fizeram história ao serem premiados. Caetano, que já havia recebido um Grammy anteriormente, compartilhou a emoção em um vídeo nas redes sociais, deitado com o neto e assistindo a um desenho animado. “Ganhamos o Grammy? Ô meu Deus do céu!”. A ligação para Bethânia revelou a surpresa e alegria de ambas as partes.
Maria Bethânia, ao ser informada, respondeu com incredulidade: “Mentira!”. A conquista de Bethânia a torna a **primeira cantora brasileira a ganhar um Grammy**, um marco significativo para a música nacional e um feito celebrado por fãs e pela crítica especializada.
Trump e ICE no centro dos protestos
O apresentador da noite, o comediante Trevor Noah, não poupou críticas a Donald Trump, fazendo referência aos recentes vazamentos de arquivos relacionados a Jeffrey Epstein. Noah comparou a busca do Grammy por artistas ao desejo de Trump pela Groenlândia, ironizando a situação e a ausência da ilha de Epstein nos mapas.
A fala de Noah provocou uma reação imediata de Donald Trump em sua rede social, o Truth Social. O ex-presidente classificou o Grammy como “péssimo” e o apresentador como “ruim”, negando veementemente ter estado na ilha de Epstein e ameaçando processar Noah por difamação. “Prepare-se, Noah! Vou me divertir muito com você”, escreveu Trump.
Artistas ecoam críticas e defendem imigrantes
Bad Bunny, um dos artistas mais populares da atualidade, também utilizou seu discurso ao receber o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana para abordar a perseguição a imigrantes. O cantor porto-riquenho declarou: “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos seres humanos e americanos. O ódio fortalece o ódio. Só o amor é mais forte que o ódio. Então, por favor, precisamos ser diferentes”.
Bad Bunny dedicou sua vitória “a todas as pessoas que tiveram que deixar suas casas para seguir seus sonhos. A todos os latinos do mundo, a todos os artistas que vieram antes e que mereciam este prêmio”. Sua fala foi calorosamente aplaudida pela plateia.
Billie Eilish se manifesta contra o ICE
Billie Eilish, vencedora do Grammy de Melhor Canção do Ano por “Wildflower”, também se pronunciou sobre a atuação do ICE. A cantora declarou do palco: “Ninguém é ilegal em terras roubadas. É muito difícil saber o que dizer e o que fazer agora, e sinto que aqui neste lugar precisamos continuar lutando, falando e protestando. Nossas vozes importam e as pessoas importam. E f***-se ICE é tudo o que quero dizer. Desculpe”.
O grande destaque da noite em número de prêmios foi Kendrick Lamar, que levou para casa cinco troféus, incluindo Melhor Álbum de Rap e Gravação do Ano, solidificando seu sucesso na cena musical.