Joe Perry, do Aerosmith, explica a decisão dos Beatles de abandonar os palcos e como os Rolling Stones se diferenciaram, moldando o futuro do rock.
Joe Perry, guitarrista icônico do Aerosmith, compartilhou suas reflexões sobre a influência e as trajetórias de duas das maiores bandas da história: os Beatles e os Rolling Stones. Com a admiração de um fã de longa data, Perry destacou o impacto monumental dos Beatles, mesmo em sua curta, mas intensa, carreira de aproximadamente oito anos.
Ele ressaltou que, assim como os Beatles, os Rolling Stones foram fundamentais em sua formação musical, descrevendo ambas as bandas como “parentes” na evolução do rock. Perry observou uma dinâmica de espelhamento entre elas, onde uma lançava uma novidade e a outra, em pouco tempo, apresentava sua própria versão.
O ponto crucial da análise de Perry reside na decisão dos Beatles de encerrar suas turnês. A justificativa era clara: a impossibilidade de se ouvirem tocar devido aos gritos ensurdecedores da plateia. Perry acredita que, se tivessem persistido, poderiam ter superado essa fase e retornado aos palcos com um público mais receptivo.
A aposta dos Rolling Stones no retorno aos palcos
É nesse exato ponto que Joe Perry vê a diferença fundamental entre os dois grupos. Ele explicou que os Rolling Stones, acostumados a seguir o rastro dos Beatles, também consideraram parar. No entanto, optaram por um caminho diferente, declarando um “que se dane isso, a gente vai voltar pra estrada”.
Essa decisão, segundo Perry, foi o que catapultou os Stones ao status de “a maior banda de rock’n’roll do mundo” e permitiu que encontrassem seu nicho definitivo. Ele contrastou a visão comum dos Beatles como uma banda de estúdio com a realidade de suas performances ao vivo, descrevendo-as como impressionantes, mesmo sem monitores de palco.
Aerosmith e a conexão com a lenda dos Beatles
Perry também trouxe à tona uma conexão direta entre o Aerosmith e a era psicodélica dos Beatles. Em 1978, a banda participou do filme “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, lançando uma versão de “Come Together”. Apesar do fracasso do filme, a canção do Aerosmith se tornou um hit, alcançando a 23ª posição na Billboard Hot 100.
O guitarrista relembrou a percepção da época de que a longevidade no rock era improvável. Ele mencionou que ultrapassar os 27 anos já era considerado um feito, e que a ideia de continuar na ativa após os 30 era incomum. Perry citou o exemplo de Elvis Presley, que morreu aos 42 anos, como um reflexo da época em que poucos músicos de rock chegavam aos 50.
O legado e a evolução do rock
A conversa de Joe Perry evidencia como as decisões estratégicas de grandes bandas moldaram não apenas suas próprias carreiras, mas também o desenvolvimento do gênero musical como um todo. A escolha dos Rolling Stones de persistir nas turnês, em contraste com a pausa dos Beatles, é vista como um momento decisivo.
Essa dinâmica mostra a capacidade de adaptação e reinvenção que se tornou essencial para a sobrevivência e o sucesso no mundo do rock. A influência dos Beatles e a resposta dos Stones continuam a inspirar gerações de músicos, demonstrando a força duradoura de suas contribuições para a cultura popular.