A vida e o legado de Nhô Juca, o ícone do rádio caipira, celebram 45 anos de saudade e memória viva.
O sábado, 28 de fevereiro, marca 45 anos da partida de José Rodrigues da Silva, o inesquecível Nhô Juca, carinhosamente conhecido como “o caipira mais famoso de Sorocaba”. Sua voz e seu jeito único conquistaram o coração de milhares de ouvintes, deixando um legado indelével no rádio e na cultura brasileira. Este marco é celebrado com um filme que mergulha em sua trajetória, desde suas origens humildes até seu estrelato.
Nhô Juca, cujo nome artístico se tornou sinônimo de autenticidade caipira, trilhou um caminho notável. Deixou para trás a vida no campo em Araçoiaba da Serra (SP), onde era ordenhador e boiadeiro, para buscar seu sonho nos microfones de Sorocaba (SP), a então “Manchester Paulista”. Essa transição do sertão para a cidade moldou sua linguagem e seu repertório, que se tornariam sua marca registrada.
Sua origem simples foi a chave para construir uma carreira de sucesso. Em 1952, estreou na antiga Rádio Cacique, conquistando o público com seu estilo peculiar. Mais tarde, na Rádio Vanguarda, sob o comando do empresário Salomão Pavlovsky, Nhô Juca comandou programas de auditório que celebravam a música caipira e outros sucessos populares, sempre com sua energia contagiante.
O estilo inconfundível de Nhô Juca no rádio
Com bordões memoráveis, como o tradicional “Bom dia, bom dia”, e um talento ímpar para criar textos publicitários com um toque de humor, Nhô Juca desenvolveu um estilo próprio e uma linguagem acessível. Essa autenticidade cativou seus ouvintes, que se identificavam com sua simplicidade e carisma, tornando-o uma figura querida em toda a região.
Sua versatilidade artística também o levou para além do rádio. Antes mesmo de consolidar o personagem Nhô Juca, ele demonstrou seu talento musical ao cantar ao lado de Ataulfo Alves Júnior. Sua presença marcante na cultura popular se estendeu ao cinema, com participações em produções importantes da época.
Nhô Juca: do rádio ao cinema, um ícone cultural
Em 1968, Nhô Juca deu um passo importante em sua carreira cinematográfica ao participar do filme “Quelé de Pajeú”, uma produção dirigida por Anselmo Duarte. Sua atuação mostrou que seu talento ia além dos microfones, alcançando também as telonas com a mesma autenticidade que o consagrou no rádio.
Posteriormente, em 1970, ele contracenou com grandes nomes da música caipira, como a lendária dupla Tião Carreiro e Pardinho, no filme “Sertão em Festa”, dirigido por Oswaldo de Oliveira. Essa participação reforçou sua conexão com as raízes da cultura sertaneja e ampliou seu alcance como artista.
Um cortejo histórico e a celebração de sua memória
A morte de Nhô Juca, aos 49 anos, em 28 de fevereiro de 1979, chocou a cidade de Sorocaba. Segundo jornais da época, o cortejo que acompanhou seu sepultamento reuniu mais de 50 mil pessoas, um testemunho do imenso carinho e respeito que o radialista conquistou ao longo de sua vida. Esse evento se tornou um dos maiores cortejos da história de Sorocaba.
A relevância de sua trajetória inspirou o documentário dirigido por Celso Fontão Jr., jornalista da TV Globo em Brasília (DF). O filme retrata a jornada de Nhô Juca, desde sua cidade natal até seu impacto na cultura popular, como uma forma de preservar sua memória e educar novas gerações sobre a riqueza da cultura caipira.
O filme que mantém viva a cultura caipira de Nhô Juca
Celso Fontão Jr. explica que a motivação para o filme foi a “importância histórica de Nhô Juca como personagem da vida sorocabana e da região”. Ele destaca também seu papel como comunicador e sua conexão com a cultura caipira, que ele ajudou a disseminar com orgulho e autenticidade.
O diretor ressalta que o documentário busca ir além dos estereótipos negativos associados ao caipira, mostrando a sofisticação, a criatividade e a profundidade dessa cultura, que é fruto do encontro entre as influências portuguesa e indígena. A cultura caipira, segundo ele, é a “matriz cultural do povo brasileiro”.
Fernando Benevenuto Fontão, médico veterinário e violeiro, responsável pela trilha sonora do filme, vê sua participação como uma forma de “preservar a memória caipira”. Ele afirma que todo violeiro se torna um embaixador dessa cultura, que precisa ser mantida viva. Nhô Juca, para ele, representa a ligação entre o campo e a cidade, um “baluarte dessa cultura” que soube levar o sertão para a cidade com talento e autenticidade.
Exibições especiais do documentário sobre Nhô Juca:
- Data: 28/02 (sábado) | Horário: 10h | Local: Sala 3, Cine Plaza Shopping (Rod. Mal. Rondon, Km 105, Trevo Paraiso – Itu) | Ingresso: entrada franca.
- Data: 28/02 (sábado) | Horário: 20h | Local: Espaço Cultural (Avenida 27 de Outubro, 135 – Mairinque) | Ingressos: entrada gratuita.