Harry Styles se permite ousar e dançar em novo álbum, mas a sombra das influências ainda paira
Após um período de reclusão e reflexão, Harry Styles retorna com “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.”, um trabalho que promete explorar um lado mais divertido e dançante do artista. Longe da imagem austera que cultivou após o fim do One Direction, Styles busca se libertar, mas, segundo análises, ainda não atinge a originalidade de suas inspirações.
O novo álbum chega após a pausa mais longa da carreira do cantor, um respiro necessário após anos de turnês intensas e lançamentos sequenciais. Essa pausa permitiu a Styles revisitar suas influências e experimentar novas sonoridades, buscando um som que o conecte com as pistas de dança e com um público que o veja além do ídolo pop adolescente.
A busca por essa nova identidade musical é evidente em faixas como “Aperture”, que bebe da fonte do LCD Soundsystem, e “Dance No More”, com claras referências ao funk de Prince e ao rock do Red Hot Chili Peppers. Conforme informações divulgadas, Harry Styles se inspirou em suas experiências recentes em Berlim, onde pôde redescobrir o anonimato e observar a cena noturna.
A busca por um novo som em “Kiss All The Time”
Em “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.”, Harry Styles demonstra uma clara intenção de se afastar de sua zona de conforto. O single “Aperture”, lançado em janeiro, já sinalizava essa mudança com sua roupagem eletrônica, inspirada, segundo o próprio artista, pela banda LCD Soundsystem. Essa experimentação reflete um desejo de se reconectar com a música de forma mais livre.
A influência do indie rock dançante dos anos 2000 e 2010 é um fio condutor no álbum. Styles explora sonoridades que remetem a bandas como The Rapture e Bloc Party, buscando capturar a energia das pistas de Londres. A percussão eletrônica adiciona um tempero interessante, mas os vocais por vezes abafados e a lentidão de algumas faixas podem limitar o impacto total.
Referências musicais e a sombra das influências
Faixas como “Dance No More” exemplificam a diversão de Styles em explorar novos ritmos. A música, com sua linha de baixo proeminente e corais infantis, soa como uma homenagem a Prince e aos primórdios do Red Hot Chili Peppers. O toque de humor no grito final “respect your mother!” adiciona leveza ao conjunto.
No entanto, a crítica aponta que as releituras de Styles, embora divertidas, nem sempre alcançam o brilho dos originais. Em comparação com a energia de grupos como Bloc Party e Black Kids, as faixas de “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.” podem soar um pouco aquém. A busca por refrões grandiosos também, por vezes, o aproxima de um indie-pop menos inspirador, como em trabalhos recentes do Coldplay.
O retorno às baladas e a dúvida existencial
Apesar da inclinação para o dance, o álbum não deixa de lado as marcas registradas de Harry Styles. As baladas com piano e violão, presentes em toda a sua discografia, também marcam presença em “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.”. Músicas como “Coming up Roses” e “Paint by Numbers” poderiam facilmente pertencer a álbuns anteriores, mostrando um terreno seguro, mas nem sempre surpreendente.
Styles expressou em entrevistas a honra pela devoção de seus fãs, mas também a incerteza sobre sua própria contribuição artística. “Kiss All The Time. Disco, Occasionally.” parece ser um esforço para romper essa barreira, para criar algo mais impactante. É louvável ver um artista de seu porte arriscando e se divertindo, mas a jornada para se livrar completamente das amarras da fama adolescente e alcançar o impacto desejado ainda está em andamento.
Um convite para se soltar na pista
A sensação ao ouvir o novo álbum é a de ver alguém dançando timidamente à margem da pista, pedindo permissão para se entregar à música. A mensagem implícita para Harry Styles é clara: ele tem o espaço e o talento para se soltar e explorar todo o seu potencial, deixando as inseguranças de lado e, quem sabe, criando algo verdadeiramente inesquecível.