Gajveena: A Fusão Sonora Que Desafia Fronteiras em Competição Musical de Renome
Em meio a um cenário musical global em constante evolução, um instrumento singular emergiu para capturar a atenção de críticos e entusiastas. O Gajveena, uma obra-prima que harmoniza as profundezas sonoras do contrabaixo com a expressividade da rudra veena, fez sua notável estreia no prestigiado Guthman Musical Instrument Competitors, realizado no campus da Georgia Tech, em Atlanta.
Embora não tenha conquistado um prêmio nesta edição, o inventor do Gajveena, o renomado contrabaixista e compositor indiano Debjit Mahalanobis, expressa grande satisfação por apresentar sua criação ao palco mundial. Sua jornada até a final da competição, onde foi o único instrumento acústico em disputa, é uma história de dedicação e inovação musical.
O nome Gajveena, cunhado por seu guru Ustad Bahauddin Dagar, carrega significados profundos. “O ‘gaj’ em Gajveena pode significar um elefante, ou também uma conotação mais antiga de ‘tabuleiro’. No mundo ocidental, o som do contrabaixo também foi comparado ao dos elefantes”, explica Debjit por telefone, diretamente da Geórgia. Essa inspiração se reflete no design e na sonoridade única do instrumento, conforme divulgado em reportagens sobre o evento.
Uma Engenharia Sonora Inovadora
O Gajveena apresenta um design escultural que evoca a imponência do contrabaixo, com seus impressionantes seis pés e 11 polegadas de altura. Equipado com uma escala de 42 polegadas e ressonadores duplos, o instrumento oferece um controle microtonal sem precedentes, texturas sonoras ricas e a capacidade de realizar bends em tempo real. O som emana da parte inferior do corpo, percorre um conduíte oco no braço e ressoa em um tumba superior próximo ao ouvido do músico.
“Este é o primeiro instrumento que pode ser tocado como a veena e curvado como um contrabaixo”, afirma Debjit. Ele ressalta que, enquanto a prancha e o contrabaixo possuem origens ocidentais, a qualidade tonal e timbral do Gajveena remete diretamente à veena indiana, criando uma ponte sonora entre culturas musicais distintas.
Seis Anos de Dedicação e Colaboração
A concepção do Gajveena foi um processo meticuloso que se estendeu por seis anos. Debjit teve a inspiração inicial em 2018, enquanto aprofundava seus estudos na rudra veena sob a tutela de Ustad Bahauddin Dagar. Sua trajetória musical é marcada por uma linhagem distinta, conectando-o ao renomado cientista e estatístico P.C. Mahalanobis, por parte de pai, e ao mestre musical Pt. Ramshankar Bhattacharya, fundador do Bishnupur Dhrupad Dhamar gharana, por parte de mãe.
Para dar vida ao Gajveena, Debjit colaborou com os habilidosos luthiers Ranjit Ray e Dipen Das em Calcutá. “Luthiers são difíceis de encontrar na Índia. Tive a sorte de trabalhar com Ranjit Ray, meu fabricante de contrabaixos há mais de 15 anos, e com Dipen Das, um criador de veenas de primeira geração”, conta Debjit. A colaboração foi tão profunda que Debjit parou suas outras atividades musicais para se dedicar integralmente ao projeto.
Uma Jornada Logística Intensa para o Palco Mundial
A participação no Guthman Competitors apresentou desafios logísticos extraordinários. O Gajveena, embalado em uma caixa protetora de quase 500 kg, enfrentou um trajeto complexo devido a eventos globais. O instrumento precisou ser transportado de avião para Hong Kong e, posteriormente, atravessou o Oceano Pacífico como carga desacompanhada. Essa aventura logística exigiu que Debjit reprogramasse seus voos, passando por diversas cidades antes de chegar a Atlanta.
Apesar dos imprevistos e do tempo limitado para se preparar para sua apresentação – foram apenas cinco minutos antes de subir ao palco –, Debjit Mahalanobis sentiu-se encorajado pela recepção calorosa de seus colegas competidores. Muitos contrabaixistas ficaram impressionados com a versatilidade do Gajveena, apreciando a possibilidade de tocá-lo em posição vertical com técnicas ocidentais, mas desfrutando da riqueza sonora indiana.
O Gajveena Como Símbolo de Universalidade Musical
Para Debjit, o Gajveena representa um instrumento “sampoorna”, ou seja, completo. Ele explica que mesmo sem a técnica de dobrar cordas ou executar o gamaka, o instrumento produz um sustain notável em cada nota, que pode durar entre 12 a 14 segundos. Essa característica confere uma profundidade e ressonância únicas à sua sonoridade.
O músico também reflete sobre a natureza da fusão musical, um conceito que não é novo na história da música. “A cítara segue a gramática do setar persa e da veena indiana. O sarod vem do rabab afegão. Portanto, os instrumentos clássicos que hoje consideramos indianos são, na verdade, instrumentos de fusão. A música é como um rio, simplesmente segue seu próprio caminho”, conclui Debjit, destacando a fluidez e a interconexão das tradições musicais globais.