Quilombo Xambá em Olinda revoluciona música com tecnologia e cria instrumentos únicos em curso gratuito

Quilombo Xambá em Olinda abre inscrições para curso gratuito que mescla música, tecnologia e criação de instrumentos únicos.

O Quilombo Xambá, localizado em Olinda (PE), por meio do coletivo Bongarbit, do Grupo Bongar, está oferecendo uma oportunidade imperdível: a Escola Bongarbit. Este projeto inovador visa democratizar o acesso à formação em música, tecnologia e fabricação de instrumentos, unindo tradição e modernidade.

As aulas gratuitas terão início em julho deste ano e se estenderão até fevereiro de 2027. Os encontros formativos acontecerão tanto no Centro de Arte e Cultura do Bongar, no próprio quilombo em São Benedito, quanto na Fab Lab Rec, no Recife Antigo. As inscrições estão abertas e podem ser realizadas até o dia 19 de junho através de um formulário online.

Esta iniciativa, que conta com apoio financeiro do Ministério da Cultura (MinC), via Lei Rouanet, e da Transpetro, busca empoderar comunidades periféricas, reposicionando-as na cadeia produtiva da tecnologia e da economia criativa. Conforme informação divulgada pelo coletivo Bongarbit, a proposta é que a tecnologia nasça da cultura popular e da ancestralidade.

Saberes Ancestrais e Tecnologia de Ponta na Criação de Instrumentos

A Escola Bongarbit propõe uma abordagem revolucionária, estimulando a criação de instrumentos musicais que combinam elementos tradicionais da cultura afro-brasileira, como tambores e cabaças, com recursos tecnológicos contemporâneos. Sensores eletrônicos, interfaces digitais e softwares serão utilizados para desenvolver sons inéditos e expandir as possibilidades da percussão afro-brasileira.

O objetivo é transformar saberes ancestrais em ferramentas de inovação cultural e tecnológica. Os alunos terão contato com aulas que abordam não apenas a música e a cultura afro-brasileira, mas também empreendedorismo e fabricação digital, preparando-os para um mercado em constante evolução.

Instrumentos Inovadores e Impacto Social

O coletivo Bongarbit já é conhecido por instrumentos como o agbau, os botões falantes e o engome adubado. Estes foram desenvolvidos a partir da reutilização de tambores tradicionais, cabaças, madeira e componentes eletrônicos, ampliando o leque sonoro da música afro-brasileira. Thulio Xambá, um dos idealizadores, ressalta a importância de tirar a periferia da posição de mero consumidor de tecnologia.

“A periferia quase sempre fica limitada ao consumo da tecnologia. Mas aqui a tecnologia nasce da cultura popular, da ancestralidade e da inteligência criativa do território”, afirma Thulio Xambá. Essa visão empodera a comunidade, mostrando que a inovação pode e deve surgir dos próprios territórios.

Divulgação, Troca de Experiências e Sustentabilidade

Ao final do curso, os instrumentos musicais criados pelos alunos serão apresentados em uma turnê por oito municípios do estado de Pernambuco. Além disso, a programação inclui encontros mensais abertos ao público, o “Café com Bongarbit”. Estes momentos serão dedicados ao diálogo e à troca de experiências com músicos, artistas e integrantes da comunidade local.

A sustentabilidade e a economia criativa também são pilares importantes do projeto. Parte dos equipamentos utilizados na fabricação dos instrumentos é produzida a partir de materiais reciclados ou reaproveitados, reforçando o compromisso com práticas ambientalmente conscientes e economicamente viáveis.

Parcerias e Visão de Futuro

O curso, oficialmente chamado Escola Bongarbit de Luteria de Instrumentos Musicais Orgânicos e Digitais da Xambá, é viabilizado graças ao apoio financeiro do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Lei Rouanet, e da Transpetro, empresa de transporte de combustíveis do grupo Petrobras. Lílian Rossetto, gerente geral de comunicação empresarial da Transpetro, destaca a relevância da iniciativa.

“Apoiar essa potência é valorizar tradições, fortalecer territórios e ampliar oportunidades na cadeia da economia criativa”, avalia Lílian Rossetto. O projeto se consolida como um modelo de como a cultura, a tecnologia e a inclusão social podem andar juntas, gerando valor e novas perspectivas para a sociedade.

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Sidney Pereira

Jornalista e músico de São Paulo, apaixonado por desvendar cifras e compartilhar seu conhecimento. Graduado em Jornalismo pela UNIFESP, combina sua habilidade na escrita com sua paixão por violão e piano, proporcionando conteúdo acessível e inspirador para músicos de todos os níveis em seu blog dedicado às artes musicais.
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