Iron Maiden: Bruce Dickinson quer novo álbum, mas Steve Harris prefere mais turnês, gerando divergência na banda

A longevidade do Iron Maiden se sustenta em 50 anos de história, mas divergências internas sobre o futuro criativo ameaçam o ímpeto da banda em lançar novas músicas.

Apesar da harmonia que, segundo Bruce Dickinson, é um dos pilares da longevidade do Iron Maiden, o vocalista revelou uma discordância significativa com o baixista e líder da banda, Steve Harris. A principal questão gira em torno da frequência de lançamento de novos álbuns em comparação com a realização de turnês.

Dickinson expressou seu desejo de focar na criação de mais um álbum de estúdio, enquanto Harris parece inclinado a priorizar as extensas turnês que se tornaram marca registrada do grupo. Essa diferença de perspectiva levanta questões sobre os próximos passos da Donzela de Ferro, que recentemente lançou “Senjutsu” em 2021.

Conforme divulgado pela Metal Hammer e compartilhado pela Kerrang!, o vocalista declarou sua preferência: “Pessoalmente, eu adoraria fazer mais um álbum. Eu preferiria fazer outro álbum a fazer outra turnê”. Ele complementou, indicando a motivação criativa por trás de seu desejo: “Sou uma pessoa criativa e gosto de criar coisas novas.” Essa declaração evidencia uma busca por renovação artística, em contraste com a rotina de shows.

Divergência sobre a criação de novos álbuns

Bruce Dickinson explicitou que, se tivesse que escolher entre gravar um novo disco ou sair em turnê, optaria pelo álbum. Ele acredita que Steve Harris, por outro lado, “faria turnê, turnê, turnê e mais turnê até provavelmente morrer no palco”. Essa visão, embora talvez um exagero, sublinha a paixão do baixista pelas apresentações ao vivo.

Steve Harris, em resposta, não descartou a possibilidade de um sucessor para “Senjutsu”, mas enfatizou a importância do momento certo e do consenso entre todos os membros. “Acho que o Bruce adoraria fazer um novo álbum, e eu não tenho problema algum em fazer um. Só acho que, se formos fazer um, tem que ser no momento certo”, afirmou Harris.

O papel da bateria e a composição como um desafio

Dickinson mencionou que a entrada de Simon Dawson na bateria, substituindo Nicko McBrain, o motivou a pensar em um novo álbum. No entanto, a reação de Harris não foi de entusiasmo. “Eu disse: ‘O baterista está se saindo muito bem, não está? Talvez devêssemos fazer um álbum novo’. Mas ele [Steve] resmungou e disse: ‘Não tenho tempo’”, relatou o vocalista.

Steve Harris justificou sua relutância em compor, descrevendo o processo como “estressante” e “trabalhoso”. Ele explicou que compor envolve um período de reclusão e introspecção intensa. “Eu me tranco e me torturo por algumas semanas. Não diria que é traumático, mas dá um trabalho danado”, confessou o baixista, líder também do projeto solo British Lion.

“Senjutsu”: um possível ponto final ou estratégia para o futuro?

O álbum “Senjutsu”, lançado em 2021, foi o décimo sétimo trabalho do Iron Maiden e é um marco na discografia da banda. Produzido por Kevin Shirley e coproduzido por Steve Harris, o título em japonês significa “tática e estratégia”, o que pode indicar uma abordagem cuidadosa para o futuro.

Harris admitiu ter dedicado esforços máximos a “Senjutsu”, sem se preocupar excessivamente com o que viria depois. Ele destacou as quatro faixas que assina sozinho, como “Lost in a Lost World” e “Hell on Earth”, como um exemplo de seu empenho total. “Eu suponho que na época eu estava pensando: ‘bem, eu não sei o que mais vamos fazer no futuro’”, disse ele ao Music Radar.

Em conversa com Eddie Trunk em 2024, Harris reiterou que, embora tenha “ideias o tempo todo”, não há um planejamento concreto para um novo álbum. “Não temos certeza. Não sabemos, sabe? Ainda não planejamos realmente um novo álbum. Mas ainda temos bastante turnê pela frente, então não sei. Vamos ver”, concluiu, deixando em aberto o futuro criativo do Iron Maiden.

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Sidney Pereira

Jornalista e músico de São Paulo, apaixonado por desvendar cifras e compartilhar seu conhecimento. Graduado em Jornalismo pela UNIFESP, combina sua habilidade na escrita com sua paixão por violão e piano, proporcionando conteúdo acessível e inspirador para músicos de todos os níveis em seu blog dedicado às artes musicais.
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