Biografia de Michael Jackson Evita Polêmicas e Faz ‘Moonwalk’ Para Trás nas Críticas: Entenda!

O ‘Moonwalk’ da Biografia de Michael Jackson: Um Passeio Pela Ascensão, Mas Longe das Polêmicas

A recém-lançada cinebiografia “Michael”, que narra a trajetória do icônico Rei do Pop, Michael Jackson, tem gerado intensos debates. O filme, que chegou aos cinemas, optou por um caminho que muitos consideram uma homenagem superficial, distanciando-se propositalmente dos aspectos mais controversos e complexos da vida do artista. Essa abordagem, centrada em celebrar a carreira musical e evitar atritos, tem dividido opiniões e recebido críticas contundentes da imprensa especializada.

O envolvimento direto da família Jackson no projeto, com o sobrinho Jaafar Jackson interpretando o astro, reforça a ideia de uma narrativa controlada e voltada para a preservação da imagem. A escolha de focar nos primeiros anos de sucesso, como a era Jackson 5 e os álbuns “Off the Wall” e “Thriller”, enquanto “Bad” é apenas mencionado e as polêmicas posteriores são completamente omitidas, tem sido o principal alvo das críticas. Essa estratégia, segundo analistas, pode até garantir o sucesso comercial, mas compromete a profundidade cinematográfica e a veracidade biográfica.

As primeiras reações internacionais não foram animadoras. Críticos renomados como Alissa Wilkinson, do The New York Times, definiram o longa como “um filme que distorce a imagem do biografado para limpar a sua reputação”, enquanto Kate Erbland, do IndieWire, lamentou a “desprovida de qualquer humanidade” por “ignorar certas questões”. A baixa aprovação no agregador de críticas Rotten Tomatoes, com 35% de avaliações positivas, alimentou o debate nas redes sociais, onde fãs e críticos discutem a qualidade e a honestidade da obra.

Apesar das críticas negativas, a expectativa é que “Michael” se torne um sucesso de bilheteria. Os estúdios Lionsgate e Universal parecem apostar alto, a ponto de cogitar uma sequência. Isso se deve, em grande parte, ao fato de o filme terminar nos anos 1980, antes do surgimento das acusações de pedofilia e outros escândalos que marcaram a vida posterior do cantor. A intenção de continuar a história, sugerida por um letreiro nos créditos finais, indica uma estratégia clara de capitalizar sobre o legado de Jackson, driblando os aspectos mais sombrios de sua vida.

O Corte das Polêmicas: Acusações e Acidentes Sob um Novo Olhar

Um dos pontos mais controversos, as acusações de pedofilia, foi completamente retirado do roteiro, conforme noticiado pela revista Variety. A decisão teria sido motivada por um acordo judicial firmado há anos com uma das supostas vítimas, gerando um atraso no lançamento e custos adicionais de cerca de R$ 75 milhões em refilmagens, arcados pela própria família Jackson. Essa omissão transformou o drama do filme, focando a tensão na relação abusiva de Michael com seu pai, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo.

O filme também aborda o acidente que causou queimaduras no couro cabeludo de Michael Jackson durante a gravação de um comercial. Neste trecho, o roteiro sugere uma predisposição ao vício em sedativos, ao mostrar o artista recusando analgésicos, enquanto sua mãe culpa Joe Jackson pelo incidente. Essa narrativa busca apresentar Michael Jackson como uma vítima das circunstâncias e da pressão externa, isentando-o de responsabilidades em decisões cruciais de sua vida.

Um Michael Jackson Ingênuo e a Ausência de Detalhes Cruciais

O Michael Jackson retratado nas telas é descrito como ingênuo, e até mesmo polêmicas anteriores às acusações de pedofilia foram deixadas de fora. Um exemplo notável é a compra do catálogo musical dos Beatles, um episódio que teria rompido a amizade com Paul McCartney e evidenciado o lado obsessivo e controlador do artista, que não é sequer mencionado no filme. Essa escolha, segundo os críticos, contribui para a criação de personagens rasos e desinteressantes, algo que também foi observado em cinebiografias recentes de outros artistas como Amy Winehouse, Whitney Houston e Freddie Mercury.

A limitação de acesso da imprensa aos envolvidos na produção, mesmo nos Estados Unidos, reforça a percepção de um controle familiar sobre a narrativa. Apenas seis produtores da família Jackson estão listados no projeto. Em contrapartida, filmes como “Rocketman”, sobre Elton John, embora com liberdade criativa, não hesitaram em expor os problemas do biografado, incluindo vícios e comportamentos arrogantes, demonstrando que o envolvimento familiar não precisa resultar em produções “chapa-branca”.

Divisões Familiares e a Estratégia do “Moonwalk”

A própria família Jackson demonstra ter tido discordâncias sobre a abordagem do filme. A ausência de Janet Jackson na trama, que dá grande destaque aos outros irmãos, é um exemplo. La Toya Jackson confirmou que Janet foi convidada, mas recusou a participação. Rumores indicam que Janet e Paris Jackson, filha de Michael, consideraram a narrativa “desonesta” e “edulcorada”, gerando um conflito interno. Assim, “Michael” parece ter realizado um verdadeiro “moonwalk” sobre as passagens mais controversas de sua vida, andando para trás sempre que se aproximava de polêmicas, numa clara estratégia de recalcular a rota e evitar confrontos.

Ficha Técnica:

  • Estreia: Quinta-feira (23)
  • Classificação: 12 anos
  • Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long
  • Produção: Estados Unidos, 2026
  • Direção: Antoine Fuqua
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Sidney Pereira

Jornalista e músico de São Paulo, apaixonado por desvendar cifras e compartilhar seu conhecimento. Graduado em Jornalismo pela UNIFESP, combina sua habilidade na escrita com sua paixão por violão e piano, proporcionando conteúdo acessível e inspirador para músicos de todos os níveis em seu blog dedicado às artes musicais.
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