A força inabalável da música sertaneja: um fenômeno que transcende gerações e plataformas
A TV Globo apostou alto ao levar o universo sertanejo para a televisão aberta com a nova novela das 7, “Coração Acelerado”. A produção, inspirada no sucesso do Globoplay “Rensga Hits!”, reafirma a relevância do gênero musical que, segundo os próprios artistas envolvidos no projeto, jamais perdeu seu espaço na cultura brasileira.
Engana-se quem pensa que o sertanejo precisou de um “reaquecimento” para conquistar o público. A percepção geral é de que o ritmo, em suas diversas formas, sempre esteve presente e pulsante na identidade nacional. A nova novela surge como um reflexo dessa vitalidade contínua.
A inspiração para “Coração Acelerado” vem de “Rensga Hits!”, série que já explorava as nuances do sertanejo no streaming. A transição para a TV aberta demonstra a confiança da emissora na capacidade do gênero de engajar uma audiência ampla e diversa, consolidando ainda mais sua presença.
O Feminejo como símbolo de renovação e empoderamento
Letícia Spiller, intérprete de Janete, mãe da protagonista Agrado (Isadora Cruz), destaca o crescimento do **feminejo** como um marco na evolução do sertanejo. “Fico feliz de ver as mulheres ascendendo na música sertaneja, porque sempre foi um ambiente muito masculino”, celebra a atriz, ressaltando a importância da representatividade feminina no gênero.
Essa ascensão feminina não apenas diversifica o cenário musical, mas também traz novas perspectivas e narrativas para o sertanejo. As artistas femininas têm conquistado cada vez mais espaço, mostrando a força e o talento que sempre estiveram presentes, mas que agora ganham mais visibilidade.
Raízes profundas: o sertanejo como pilar da identidade brasileira
Leandra Leal, que dá vida à vilã Zilá, enfatiza a importância histórica do sertanejo. “O sertanejo é um dos gêneros constituintes do Brasil”, afirma a atriz. Ela explica que, embora o gênero possua várias ramificações, e algumas se tornem mais populares em determinados momentos, sua essência permanece.
Essa visão histórica reforça a ideia de que o sertanejo não é apenas uma moda passageira, mas sim um elemento fundamental na formação cultural do país. Suas melodias e letras contam histórias que ressoam com diferentes camadas da sociedade brasileira, conectando o passado ao presente.
A internet e a democratização do sertanejo
Daniel de Oliveira, que interpreta Alaorzinho, atribui parte da expansão e adaptação do sertanejo ao avanço da internet. “Hoje é tudo muito mais aberto. Cada um encontra sua própria moda, seu próprio ritmo. As pessoas escutam de tudo, no mundo inteiro”, reflete o ator.
A era digital permitiu que novas vertentes do sertanejo, assim como outros gêneros musicais, alcançassem um público global. A facilidade de acesso e a diversidade de conteúdo online promovem uma maior liberdade de escolha para os ouvintes, que exploram sem barreiras o que mais lhes agrada.
Um universo vasto e em construção: o sertanejo para além da superfície
Gabz, intérprete da sonhadora Eduarda, conecta a força do sertanejo à sua capacidade de representar uma parcela significativa do Brasil. “Ele representa uma parte muito grande do Brasil. A gente precisa olhar para além da superfície: para a galera do campo, da roça, de Goiás, inclusive a urbana”, observa a atriz.
Gabz argumenta que o sertanejo é um universo vasto e em constante construção, que merece um olhar mais profundo. Essa perspectiva convida o público a ir além dos estereótipos, reconhecendo a riqueza e a complexidade que o gênero musical carrega em suas diferentes manifestações e origens.