Dado Villa-Lobos lança novo álbum e relembra Renato Russo: ‘Jogava Master conosco, não era esse cara todo’

Dado Villa-Lobos lança álbum solo e desmistifica figura de Renato Russo: ‘Era um cara que jogava Master conosco’

O guitarrista Dado Villa-Lobos, figura icônica do rock brasileiro e parceiro de Renato Russo na Legião Urbana, está de volta com seu quarto álbum solo, O Que Você Quiser, com lançamento marcado para 28 de maio. Em entrevista, Villa-Lobos comentou sobre a obra, a atualidade das letras de Renato Russo e a proximidade do fim da parceria com Marcelo Bonfá.

A canção Que País É Este, escrita por Renato Russo em 1978, continua surpreendentemente atual em 2026. Dado Villa-Lobos acredita que boa parte da obra da Legião Urbana mantém sua relevância, capturando as agruras do Brasil em letras poéticas que moldaram o rock nacional.

Após quase três décadas da morte de Renato Russo, Dado Villa-Lobos se dedica à carreira solo. A parceria com Marcelo Bonfá, com quem celebrava a Legião Urbana desde 2015, caminha para uma pausa, com encontros agendados apenas para shows específicos. O músico lamenta o impasse judicial sobre o uso da marca Legião Urbana, que se arrasta há anos.

O novo álbum, O Que Você Quiser, contrapõe a escuridão da pandemia com momentos de luz, refletindo uma postura ‘estoica’. Faixas como Dois Brilhantes, inspirada no nascimento de seus netos gêmeos, contam com a participação de Tiago Iorc, e Adeus Bem-vinda tem colaborações de Humberto Gessinger e Herbert Vianna. A informação é do jornalista.

O novo álbum e a resiliência em tempos sombrios

O novo trabalho de Dado Villa-Lobos é um conjunto de novas canções, desafiando o cenário atual de lançamentos constantes. O músico, que se considera ‘das antigas’, buscou criar temas inspirados pela resiliência e determinação diante da pandemia. O disco aborda o momento conturbado, mas também celebra momentos solares, como na canção Dois Brilhantes, dedicada aos seus netos.

O conceito de ‘êxtase’ no álbum se refere à libertação dos problemas cotidianos e da caoticidade das metrópoles. Dado Villa-Lobos descreve o êxtase como estar com a família, ter as contas pagas, e encontrar o caminho desejado. A música O Êxtase, com participação de Fausto Fawcett, inclui palavras como ‘magia’ e ‘enganação’, explorando a definição de arte.

Rivalidades saudáveis e a memória de Renato Russo

Dado Villa-Lobos relembrou a dinâmica com outras bandas da época. Com os Engenheiros do Hawaii, havia uma admiração mútua, enquanto com Os Paralamas do Sucesso, a rivalidade era um fator de motivação. Ele recorda que, ao chegarem ao Rio de Janeiro, eram chamados de ‘jacus de Brasília’ por Herbert Vianna e outros músicos.

Ao ser questionado sobre o maior equívoco a respeito de Renato Russo, Dado Villa-Lobos aponta a idealização de sua figura. Ele revela que, apesar de ser um artista genial, Renato também era um jovem comum, que nos fins de semana jogava Master com os amigos. Essa visão humanizada contrasta com a imagem de um ‘supercabeça’ que muitos têm.

A atualidade de ‘Que País É Este’ e o futuro do rock

A letra de Que País É Este, de 1978, ecoa com força em 2026, segundo Villa-Lobos. Ele lamenta que a situação de ‘sujeira pra todo lado’ e o desrespeito à constituição permaneçam, e talvez tenham piorado. Por outro lado, músicas como Ainda é Cedo, com sua mensagem universal de amor, continuam atuais por outros motivos.

O guitarrista reconhece a perda de espaço do rock na cultura moderna, afirmando que o gênero não figura mais nas paradas de sucesso como antes. Ele cita o Foo Fighters e o Radiohead como exemplos de bandas que marcaram época, mas lamenta a falta de novas bandas com a mesma atitude rock. A participação no C6 Festival, celebrando o rock brasileiro, foi uma oportunidade de revisitar álbuns icônicos.

O fim de um ciclo e a carreira solo

A parceria com Marcelo Bonfá, que resultou em shows comemorativos da Legião Urbana por uma década, chega a um ponto de pausa. Villa-Lobos descreve a estrada como ‘cruel’ e que a dinâmica de estar ‘sistematicamente em um projeto grande’ é puxada. Agora, ele prefere pegar mais leve e focar em seus projetos solo, explorando novas sonoridades e temas.

Apesar do fim de uma era, Dado Villa-Lobos mantém um olhar otimista para o futuro, impulsionado pela criatividade e pela vontade de continuar produzindo música. Seu novo álbum solo é um reflexo dessa fase de transição e renovação artística.

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Sidney Pereira

Jornalista e músico de São Paulo, apaixonado por desvendar cifras e compartilhar seu conhecimento. Graduado em Jornalismo pela UNIFESP, combina sua habilidade na escrita com sua paixão por violão e piano, proporcionando conteúdo acessível e inspirador para músicos de todos os níveis em seu blog dedicado às artes musicais.
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