Filipe Ret Atinge 10 Bilhões de Streams com Rap que Homenageia Funk dos Anos 90

Filipe Ret celebra marco inédito de 10 bilhões de streams com EP que resgata a essência do funk dos anos 90.

O rapper Filipe Ret alcançou a marca histórica de 10 bilhões de streams nas plataformas digitais, um feito inédito para um artista brasileiro no gênero rap. Paralelamente, ele lança o EP “Rap Relíquia”, um projeto que mergulha na sonoridade e nos temas dos bailes funk cariocas do final dos anos 80 e início dos 90.

Em “Rap Relíquia”, Ret apresenta quatro faixas, incluindo inéditas como “Rap do Sonho”, “Rap do Beijo” e “Rap da Magia”, além da já conhecida “Rap da Lealdade”. O trabalho revisita o estilo musical da época, com influências de volt mix e Miami bass, buscando uma conexão afetiva e sonora com o público.

O EP marca também uma mudança na abordagem lírica do artista, que, em vez de focar apenas em experiências individuais, explora temas coletivos como amizade, sonhos e lealdade, características marcantes do rap dos bailes dos anos 90. Conforme divulgado pelo site g1, o artista busca inspiração em nomes como Claudinho & Buchecha e Cidinho & Doca, vendo a geração atual do rap como uma continuação direta dessa linhagem.

A “Surpresa Familiar” do Rap Relíquia

Filipe Ret descreve a ideia por trás de “Rap Relíquia” como a busca por uma “surpresa familiar”, inspirada na definição de hit de Rick Rubin. O elemento familiar é o volt mix, enquanto a surpresa vem da sua própria voz com uma harmonia mais moderna. Ele acredita que a geração atual de rappers, incluindo nomes como Orochi e Poze, carrega essa influência.

“Eu não consigo chamar o ‘Rap do Silva’ de funk, tá ligado, mano?”, reflete Ret sobre a distinção entre rap e funk. “O ‘Rap do Silva’ pode pertencer ao movimento ali do funk, mas está no nome, era um rap. Tinha verso, tinha refrão, fazia pensar, questionava, fazia uma crítica”.

O rapper compara a sua obra com a de Claudinho & Buchecha e Cidinho & Doca, afirmando que a geração atual é uma “segunda onda deles de forma muito nítida”. Ele destaca que, apesar de algumas mudanças na lírica, a essência permanece, sendo uma evolução do que já existia.

A Trajetória de 10 Bilhões de Streams

O marco de 10 bilhões de streams chega em um momento significativo para Filipe Ret. Ele é um dos poucos artistas brasileiros a ultrapassar essa marca, majoritariamente dominada por nomes do sertanejo. Ret atribui esse feito à sua longa trajetória e ao contato direto com o público.

“O Ret tá há muito tempo rodando o país”, afirma o rapper, que iniciou sua carreira em batalhas de MCs em 2003. Ele diferencia o mercado ao vivo do mercado de streaming, ressaltando a importância do “trabalho braçal” e do contato pessoal com os fãs.

Ret faz questão de afirmar que não utilizou “fazenda de streams” para inflar seus números. Ele explica que a rotina envolve uma engrenagem contínua entre shows, estúdio e gestão, um processo que ele acompanha de perto. A dedicação ao palco, mesmo com a preferência pela criação em estúdio, é vista como fundamental.

Arte, Mercado e Identidade

Para Filipe Ret, a arte e o mercado comercial andam juntos. “Eu só entendo a arte como algo comercial. Eu sempre criei pra mostrar”, declara, defendendo a popularização da arte, comparando-se a Paulo Coelho em vez de Van Gogh. Ele não se vê como um artista à margem por ser branco em um gênero de raízes negras, enfatizando sua vivência na rua.

“O cara percebe que eu vivi a rua. Não tem como você forjar isso. Em qualquer quadra minha que você ouvir, você vai ver alguma rua ali”, argumenta. Ret escolheu o nome artístico “Ret”, associado à sua origem de pichador, em contraste com uma vida burocrática.

No entanto, o rapper reconhece a complexidade racial na cena do rap, admitindo que algumas pessoas podem não ouvi-lo por esse motivo. “Eu, por exemplo, não ouço rapper branco”, confessa, considerando a declaração polêmica. Ele também evita colaborações, sugerindo que alguns artistas ainda não se provaram o suficiente.

Documentário e a História do Rap

Um documentário biográfico dirigido por Emílio Domingos está em produção, prometendo aprofundar a reflexão sobre a trajetória de Filipe Ret. O projeto também visa organizar a narrativa de sua carreira, conectando-a com a história do funk e do rap desde o início.

“Eu gostei dessa ideia que tive agora durante essa conversa, de mostrar essa história que vem desde o funk, de contar a história do rap lá do início”, compartilha Ret, demonstrando um desejo de contextualizar sua arte dentro de um panorama histórico mais amplo.

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Sidney Pereira

Jornalista e músico de São Paulo, apaixonado por desvendar cifras e compartilhar seu conhecimento. Graduado em Jornalismo pela UNIFESP, combina sua habilidade na escrita com sua paixão por violão e piano, proporcionando conteúdo acessível e inspirador para músicos de todos os níveis em seu blog dedicado às artes musicais.
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