Katseye encanta e frustra no Lollapalooza Brasil 2024 com show apressado e repertório enxuto
O grupo Katseye, formado nos Estados Unidos e inspirado no universo do K-pop, subiu ao palco do Lollapalauza em São Paulo neste domingo, 22, para apresentar seu show ao público brasileiro. Com uma energia contagiante e coreografias vibrantes, as integrantes do grupo, que ganhou destaque mundial com sucessos do TikTok como “Gnarly” e “Gabriela”, tentaram cativar a plateia, mas o repertório limitado e as pausas prolongadas deixaram uma parcela do público apática.
Cinco das seis integrantes se apresentaram, após uma delas ter se afastado do grupo por tempo indeterminado. O Katseye, que busca reviver a era de ouro dos girl groups dos anos 2000, se apresentou no palco Flying Fish, reservado para atrações menos conhecidas do festival.
A apresentação, que durou cerca de uma hora, foi marcada por uma performance frenética das integrantes, que raramente paravam em cima do palco, com muitos giros, chutes e tentativas de acrobacias. No entanto, a falta de músicas conhecidas e os longos momentos de interação com o público, que incluíram pedidos para tirar fotos e conversas sobre a energia brasileira, consumiram um tempo precioso, deixando uma sensação de que o show poderia ter sido mais produtivo musicalmente. Conforme relatado pela fonte, o grupo ainda não lançou álbuns completos, contando apenas com EPs como “Beautiful Chaos” e “Sis”, ambos de 2024.
Conheça as integrantes e a trajetória do Katseye
O Katseye é composto por Sophia Laforteza, das Filipinas, Lara Raj, americana de descendência indiana, Daniela Avanzini, de família latina que mandou um “beijo” em português para a plateia, a americana Megan Skiendiel, e a sul-coreana Yoonchae Jeong. Manon Bannerman é a integrante que se afastou do grupo e não participou do Lollapalooza.
Formado a partir de um reality show de competição nos Estados Unidos, o grupo reúne garotas de diversas nacionalidades e se inspira na estética e nos movimentos de grupos femininos de K-pop, como o Blackpink. Essa inspiração é visível nas performances energéticas e na produção visual dos clipes.
Repertório curto e interações longas: a receita para a apatia?
Apesar da empolgação inicial com músicas como “Debut” e “Gameboy”, a falta de um catálogo musical robusto se tornou um obstáculo. Enquanto atrações como Lorde, que se apresentou em outro palco, priorizaram a execução de suas músicas, o Katseye dedicou minutos preciosos a conversas com a plateia. Após a execução de “Gabriela”, por exemplo, o grupo se prolongou por cerca de quatro minutos em interações, incluindo gritos de “Brasil” e a ansiedade declarada para retornar ao país.
Uma das integrantes chegou a se despedir antes do tempo, corrigindo-se em seguida: “Tchau, mas não agora, depois”. Esse tipo de improviso, embora possa criar uma conexão mais íntima com os fãs mais dedicados, acabou por diluir o ritmo do show, levando a uma certa apatia nas fileiras mais distantes do palco, onde muitas faixas menos conhecidas eram apresentadas.
O sonho de reviver a era de ouro dos girl groups
A ambição do Katseye é clara: **retomar a era de ouro dos girl groups e boy bands dos anos 2000**. Fãs nutrem a esperança de que o grupo possa alcançar o sucesso de nomes como Pussycat Dolls ou, mais recentemente, Fifth Harmony. A presença de muitas crianças na plateia evidencia o apelo do grupo para as novas gerações, que buscam referências em grupos musicais com forte identidade visual e performática.
O Lollapalooza Brasil, que chega ao fim neste domingo, 22, foi palco para que o Katseye mostrasse seu potencial, mas também evidenciou os desafios de construir uma carreira sólida com um repertório ainda em formação. A energia e o carisma das integrantes são inegáveis, mas a consolidação como um grande nome da música pop dependerá da capacidade de expandir seu catálogo de sucessos e refinar a estrutura de suas apresentações ao vivo.