Paul McCartney, aos 83 anos, revela o motor por trás de sua eterna criatividade: uma compulsão incontrolável pela música.
Aos 83 anos, Paul McCartney demonstra que a idade é apenas um número quando se trata de paixão pela música. O lendário ex-Beatle lança nesta sexta-feira (24) seu mais novo álbum solo, ‘The Boys of Dungeon Lane’, provando que sua veia artística continua pulsando forte.
Em entrevista recente, McCartney confessou que compor não é mais uma obrigação, mas sim um desejo incontrolável, quase um vício. Ele afirma que a liberdade criativa é o seu maior motor, e o sucesso, quando vem, é um bônus bem-vindo.
Essa nova fase de sua carreira, marcada pela ausência de pressão por hits, tem permitido ao músico explorar suas memórias e sua essência. Conforme divulgado em sua recente entrevista, o processo criativo é o que realmente o move.
A compulsão que move um ícone: ‘Sou viciado em compor’
Paul McCartney descreve sua relação com a composição como uma verdadeira compulsão. “As pessoas perguntam: ‘Mas por que você ainda escreve canções?’ Simplesmente porque eu amo fazer isso. Sou viciado”, declarou o músico em entrevista, destacando que a sensação de criar algo novo é como tirar “leite e mel de um buraco negro”.
Mesmo com uma carreira repleta de sucessos com os Beatles, Wings e em seus álbuns solo, McCartney não segue uma rotina rígida para compor. A inspiração pode surgir a qualquer momento, seja com um violão ao lado ou perto de um piano. “Pode ser em qualquer lugar, com algum tempo livre e meu violão ao lado, ou um piano por perto. Então a vontade me domina”, explicou.
Ele compara o ato de compor a algo prazeroso, “melhor do que trabalhar”. A cada melodia ou letra que se encaixa, ele sente uma satisfação imensa, alimentando ainda mais esse desejo de criar.
Memórias de Liverpool e a magia da composição
‘The Boys of Dungeon Lane’ é um mergulho nas memórias de infância de McCartney em Liverpool e nos primórdios dos Beatles. Canções como “Down South” relembram o encontro com John Lennon, e “Home to Us” conta com a participação de Ringo Starr, celebrando a cidade natal do músico.
O álbum explora a irreverência musical que sempre marcou McCartney, com faixas que transitam entre o rockabilly, o psicodélico e a energia de big bands. A produção, a cargo de Andrew Watt, conhecido por trabalhar com grandes nomes da música, permitiu que McCartney revisitasse suas histórias e seu processo criativo.
“Trabalhar com um produtor mais jovem me incentiva a revisitar todas as minhas histórias”, comentou McCartney, enfatizando a preciosidade das memórias, especialmente as relacionadas aos Beatles.
Liberdade criativa: o verdadeiro sucesso para McCartney
Aos 83 anos, Paul McCartney não se preocupa mais em criar hits. A liberdade de expressão e o prazer em compor são seus maiores objetivos. “Eu gosto de liberdade. E se a liberdade levar a um sucesso, ótimo. Se a liberdade me levar apenas a curtir o processo, provavelmente melhor ainda”, afirmou.
Ele enxerga a música como um “mundo mágico”, capaz de tocar profundamente as emoções humanas, mesmo sem uma mensagem clara. “Cientificamente falando, é apenas um conjunto de frequências. Então, como essas frequências podem afetar o seu coração? Eu entendo, se tem letra, às vezes você pensa, ‘ah, sim’. Mas se for só uma melodia — como isso pode te fazer chorar? Isso é mágico. Eu adoro”, refletiu.
Revisitando o passado com tecnologia e nostalgia
Na produção de ‘The Boys of Dungeon Lane’, McCartney utilizou equipamentos antigos do estúdio Abbey Road, incluindo o Mellotron de “Strawberry Fields” e o piano de “Because”. Ele gravou a faixa “We Two” inteiramente em fita no Studer, replicando o processo dos Beatles.
Essa imersão no passado, combinada com a tecnologia atual, permitiu uma experiência única. “Usamos exatamente o mesmo processo que ele usava nos Beatles, tipo, 100%”, disse o produtor Andrew Watt, sobre a gravação em fita e a edição manual. O som de fita rebobinando, que encerra “We Two”, é um aceno nostálgico para a era analógica.
A paixão de McCartney pela música transcende gerações e desafios. Sua abordagem atual, focada na alegria do processo criativo e na liberdade de expressão, continua a inspirar fãs e músicos ao redor do mundo.