Lançada em 1964, “I Feel Fine” é uma das canções mais reconhecidas dos Beatles, mas guarda um segredo: John Lennon a considerava uma música “terrível”. No entanto, o que para o vocalista era um ponto fraco, para os fãs e historiadores da música se tornou um fascinante objeto de estudo, repleto de particularidades que a tornam única.
Quase um hit de álbum, virou single de sucesso
Gravada em outubro de 1964, “I Feel Fine” surgiu nos últimos dias das sessões de gravação do álbum “Beatles For Sale”. Por pouco, a música não integrou o repertório do quarto disco da banda. A decisão de lançá-la como single, contudo, acabou impulsionando ainda mais o sucesso estrondoso da faixa, que rapidamente alcançou o topo das paradas.
O riff icônico tem sotaque de blues
O marcante riff de guitarra que abre a canção não foi uma invenção totalmente nova. George Harrison revelou, anos depois, em entrevista para a “Anthology”, que a inspiração veio diretamente de “Watch Your Step”, um clássico do blues interpretado por Bobby Parker. “O riff foi influenciado por ‘Watch Your Step’. Mas riffs nesse andamento soam parecidos. John tocou, eu toquei junto, e aquilo virou nosso som de gravação dupla”, explicou Harrison.
A trilha sonora do último adeus aos palcos
“I Feel Fine” era uma presença constante nos shows dos Beatles, e seu impacto se estendeu até o fim da trajetória da banda nos palcos. A música fez parte do setlist do derradeiro show ao vivo dos Fab Four, realizado em 29 de agosto de 1966, no Candlestick Park, em São Francisco. Esse concerto marcou o fim de uma era de apresentações ao vivo para o grupo, tornando a canção ainda mais emblemática.
Inovação na gravação: instrumental primeiro, voz depois
Em um desvio do processo criativo habitual dos Beatles, “I Feel Fine” foi gravada de maneira peculiar. As primeiras oito tomadas foram dedicadas exclusivamente à base instrumental. Somente na nona tentativa é que os vocais foram adicionados. Essa abordagem incomum ocorreu porque John Lennon estava enfrentando dificuldades para cantar e tocar simultaneamente. Assim, a faixa se consolidou como uma exceção notável na discografia da banda, demonstrando a constante busca por experimentação, mesmo em canções que o próprio artista não apreciava.