O filme “Michael”, que celebra a vida do Rei do Pop, está conquistando as bilheterias globais, mas levanta questões sobre o que foi deixado de fora da narrativa. Fãs e críticos apontam a ausência de capítulos importantes da história de Michael Jackson, especialmente as graves acusações de abuso sexual que o assombraram.
A cinebiografia “Michael”, dirigida por Antoine Fuqua e estrelada por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, já ultrapassou a marca de US$ 200 milhões em arrecadação mundial. Apesar do sucesso comercial, o filme tem sido alvo de debates por sua abordagem seletiva de eventos.
Entre os pontos notados pela ausência estão a participação de figuras importantes como Janet Jackson, irmã do artista, e a cantora Diana Ross, amiga próxima de Michael. No entanto, a omissão mais significativa e controversa é a ausência de menção às acusações de abuso sexual que vieram à tona em 1993.
Conforme apurado pela Variety, a intenção inicial era retratar essas acusações no filme. Contudo, uma cláusula secreta descoberta tardiamente forçou a equipe a realizar alterações drásticas no roteiro, especialmente no ato final da obra. A descoberta dessa cláusula ocorreu apenas durante as gravações, o que gerou atrasos e regravações significativas.
O acordo milionário que silenciou o filme
As primeiras denúncias contra Michael Jackson surgiram em 1993, envolvendo o jovem Jordan Chandler, que na época tinha 13 anos. O caso gerou uma repercussão midiática global e resultou em um processo judicial.
O desfecho dessa complexa situação ocorreu fora dos tribunais, através de um acordo entre Michael Jackson e a família de Jordan Chandler. Estima-se que o cantor tenha desembolsado a quantia de **US$ 25 milhões** para que as acusações fossem retiradas. Este valor equivale a cerca de R$ 124 milhões, de acordo com a cotação atual.
Um dos termos centrais deste acordo, e que causou grande impacto na produção do filme “Michael”, era a proibição de que a situação fosse mencionada ou dramatizada em qualquer cinebiografia futura do artista. A descoberta dessa cláusula pelo espólio de Michael Jackson, quando o filme já estava em produção, foi um divisor de águas.
A cena original que nunca vimos
De acordo com informações da Variety, o plano original era que “Michael” começasse em 1993, no auge da polêmica. A cena de abertura imaginada mostrava Michael Jackson em seu rancho Neverland, refletindo em um espelho. Luzes vermelhas e azuis piscariam em seu rosto, simbolizando a chegada de viaturas policiais, enquanto sirenes soariam ao fundo.
Essa sequência visava retratar o momento em que a residência do cantor foi revistada por investigadores em busca de provas relacionadas à acusação. A partir desse ponto, o filme retrocederia para contar a história completa de Michael Jackson, desde sua infância. A versão que chegou aos cinemas, no entanto, inicia com o cantor a caminho de um show icônico em Londres, em 1988, durante a turnê “Bad”.
Um legado complexo e a absolvição
É importante ressaltar que, em 2005, Michael Jackson foi **absolvido das acusações de abuso sexual infantil** em um julgamento que também atraiu atenção mundial. O artista faleceu em 2009, em decorrência de uma overdose de medicamentos.
A decisão de omitir as acusações de abuso sexual da cinebiografia “Michael” reflete a complexidade do legado do Rei do Pop e os desafios enfrentados na tentativa de equilibrar a celebração de seu talento com os aspectos sombrios de sua vida pessoal, especialmente diante de acordos legais que impõem restrições narrativas.