O “purple drank” e sua ascensão no mundo da música e das redes sociais
A bebida conhecida como “purple drank” ou “lean”, associada a grandes nomes da música internacional e brasileira, como Justin Bieber, Matuê, A$AP Rocky, Lil Pump e Mac Miller, voltou a ganhar destaque. Sua presença em videoclipes e menções em letras de rap a transformaram em um símbolo cultural, mas essa popularidade esconde perigosos riscos à saúde, especialmente para os mais jovens.
O consumo indiscriminado de substâncias com codeína, ingrediente principal do “lean”, tem gerado preocupação entre especialistas devido aos recentes casos de intoxicação em adolescentes. A facilidade com que a bebida é apresentada e replicada em plataformas online, como TikTok e YouTube, contribui para a disseminação do seu uso.
Este conteúdo explora a origem do “purple drank”, sua ligação com o universo musical e os perigos que o acompanham. Descubra como artistas famosos lidaram com o vício e entenda por que o “lean” se tornou um tema de alerta no Brasil, conforme informações divulgadas por fontes como o Project Know e a Anvisa.
Justin Bieber e a confissão de dependência do “lean”
Um dos casos mais emblemáticos é o de Justin Bieber. Em 2020, seu amigo Ryan Good revelou no documentário “The Dark Season” a preocupação com o uso frequente da substância pelo cantor. Posteriormente, o próprio Bieber admitiu ter desenvolvido **dependência química** em relação ao “lean”.
O cantor canadense não foi o único a expor sua relação com a bebida. Rappers como Mac Miller, Soulja Boy e Starlito também relataram ter consumido o “lean” por anos, chegando a desenvolver quadros de **dependência**. Mac Miller, falecido em 2018, chegou a abordar o tema em entrevistas e em suas músicas.
A$AP Rocky e Lil Pump: popularizando a estética do “purple drank”
No cenário do rap internacional, A$AP Rocky é frequentemente citado como um dos responsáveis por popularizar a estética do “purple drank” entre as novas gerações. Seu hit de 2011, “Purple Swag”, transformou a bebida em um ícone cultural dentro do hip-hop.
Seguindo uma linha semelhante, Lil Pump também incorporou referências ao “lean” em suas músicas, clipes e aparições públicas. Essa estratégia ajudou a **disseminar a imagem da bebida** entre seus fãs mais jovens, associando-a a um estilo de vida.
Matuê e a conexão brasileira com o “purple drank”
No Brasil, o nome de Matuê é frequentemente ligado ao “purple drank”. Contudo, o rapper cearense **nunca admitiu publicamente o consumo** da substância. Sua ligação mais explícita com a bebida está na música “Copo Roxo”, uma colaboração com o grupo Costa Gold.
O título da faixa é uma clara alusão ao copo tradicionalmente utilizado para o consumo do “purple drank”, evidenciando a influência cultural da bebida no cenário musical brasileiro. A música contribui para a discussão e o conhecimento sobre o tema.
Origem e riscos do “lean”: um alerta da Anvisa
O “lean” surgiu nos Estados Unidos nos anos 1990, impulsionado por artistas de rap, hip-hop e trap. A receita clássica envolve xarope de codeína misturado a refrigerantes e, por vezes, balas. Um levantamento da ONG Project Know apontou que bebidas à base de codeína foram a **terceira droga mais citada em letras de rap** entre 1988 e 2013.
A partir de 2015, o consumo começou a ganhar espaço no Brasil, com jovens compartilhando vídeos sobre o preparo da mistura e incentivando sua experimentação. É crucial destacar que, no Brasil, a codeína é classificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como **substância entorpecente**, cuja comercialização depende de prescrição médica.
O consumo de “purple drank” pode causar **graves problemas de saúde**, incluindo **dependência**, intoxicações severas e até **risco de morte**. A mistura de codeína com outras substâncias, como álcool e sedativos, potencializa esses perigos, afetando o sistema nervoso central e podendo levar a paradas respiratórias.