Novo líder nepaleso, Balendra Shah, o ‘Balen’, tem sua popularidade testada após revolução juvenil que o alçou ao poder.
Balendra Shah, um rapper de 35 anos, conhecido como Balen, tomou posse como primeiro-ministro do Nepal em um momento considerado auspicioso. Sua ascensão ao cargo representa o ápice de um movimento liderado por jovens que derrubou um governo impopular, transformando o país em um palco para a revolta da Geração Z global.
As eleições de março deram uma vitória expressiva ao Partido Rastriya Swatantra (RSP), uma nova força política que prometeu combater a “gerontocracia” e os escândalos que assolam o Nepal. Muitos eleitores, no entanto, votaram não em um partido, mas em Balen Shah, cujas músicas ressoam com a frustração de uma juventude que, devido à corrupção e impunidade, busca oportunidades no exterior.
Às vésperas de sua posse, um relatório investigativo sobre a violência e os incêndios criminosos que marcaram a revolução do Nepal em setembro passado foi liberado. Este documento lança uma sombra sobre o novo governo, especialmente porque membros do RSP podem estar envolvidos nos eventos. O premiê Shah agora precisa decidir como lidar com as descobertas, testando suas credenciais como porta-voz da Geração Z e agente de mudança.
Relatório sobre violência e incêndios criminosos levanta questões sobre responsabilidade
Em 8 de setembro, forças de segurança abriram fogo contra manifestantes antigoverno, resultando na morte de 19 pessoas. No dia seguinte, uma onda coordenada de incêndios criminosos destruiu milhares de edifícios, incluindo o gabinete do primeiro-ministro, ministérios e delegacias. Dezenas morreram nesse segundo dia de protestos.
A primeira-ministra interina, Sushila Karki, autorizou a divulgação do relatório da comissão investigativa na véspera da posse de Shah. No entanto, o documento vazado para veículos de comunicação, como o The New York Times, pede investigações criminais contra figuras proeminentes, incluindo o ex-primeiro-ministro K.P. Oli, o ex-ministro do Interior e o ex-chefe da polícia nacional, em relação às mortes dos manifestantes.
K.P. Oli negou veementemente qualquer irregularidade, classificando as recomendações contra ele e o ex-ministro do Interior como “absurdas”. O ex-ministro do Interior e o ex-chefe da polícia nacional não comentaram o relatório até o momento, com um deles alegando não ter analisado o documento detalhadamente.
O papel do RSP e as polêmicas envolvendo Rabi Lamichhane
O relatório destacou a natureza coordenada dos incêndios criminosos, com câmeras de segurança desativadas e uso de acelerantes. Contudo, a comissão não recomendou investigações criminais para o segundo dia de caos nem nomeou indivíduos específicos, levantando dúvidas se os resultados eleitorais influenciaram o relatório.
Uma figura controversa é Rabi Lamichhane, 51, fundador do RSP e ex-apresentador de TV. Lamichhane, que já foi vice-premiê e ministro do Interior, enfrenta múltiplos problemas legais, incluindo investigações por fraude, o que representa um desafio para Shah, que prometeu limpar a política nepalesa.
O relatório descreve como Lamichhane, que estava preso, apareceu nas ruas em 9 de setembro com um documento que supostamente validava sua liberação, o que o relatório sugere ser falso. No mesmo dia, um líder distrital do RSP foi filmado comemorando a destruição de um grupo de mídia que havia questionado o status de cidadania de Lamichhane.
Shah sob pressão para agir e definir o futuro político do Nepal
A chefe de uma segunda comissão investigativa, Lily Thapa, informou que o relatório de seu painel será divulgado em breve. Sua equipe entrevistou cerca de 90 pessoas, incluindo Shah e Lamichhane. Perguntas foram feitas a Shah sobre a demora dos caminhões de bombeiros em responder aos incêndios na capital e por que os escritórios municipais de Katmandu não foram alvos.
“Coletamos todas as evidências, essa é nossa responsabilidade”, declarou Thapa. “O que acontece a partir daqui não cabe a mim decidir.” A responsabilidade agora recai sobre os ombros de Balendra Shah, o novo primeiro-ministro do Nepal, que precisa navegar por essas complexas questões para cumprir suas promessas de renovação e integridade política.
Balen Shah, que em 2022 chocou a elite política ao vencer a prefeitura de Katmandu como independente, agora enfrenta o desafio de liderar o país em um momento crítico. Sua decisão de se juntar ao RSP, apesar de críticas anteriores, pouco abalou sua popularidade, mas os próximos passos definirão seu legado como líder da Geração Z no Nepal.