Robbie Williams aos 52 anos: “Sempre tive meus adultos cuidando de tudo e nunca questionei muito até agora”.
Robbie Williams, o popstar britânico que marcou gerações com sucessos como “Angels”, “Feel” e “Millenium”, atinge a marca dos 52 anos com vitalidade renovada e um novo álbum, “Britpop”, que o colocou no topo das paradas britânicas. O artista, que se tornou um dos maiores vendedores de discos da história, desembarca no Brasil em outubro para um show único no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 13.
Em entrevista recente, Williams compartilhou sua perspectiva peculiar sobre o envelhecimento, o impacto da era digital e a recente reconquista do controle sobre sua carreira e vida pessoal. Ele garante que, apesar da idade, ainda se sente jovem, mas reconhece as mudanças que o tempo traz.
“É muito estranho ainda ter 16 anos, mas também ter a mesma idade que os idosos. Sabe, eu me sinto um adolescente! Meu corpo, obviamente, não. É confuso estar aqui e não me sentir assim. Não tenho medo de envelhecer, estou ficando mais feliz à medida que envelheço”, declarou o cantor, demonstrando otimismo.
O provocador título “Britpop” e a nostalgia dos anos 90
A escolha do título “Britpop” para seu novo álbum não foi aleatória. Robbie Williams, que integrou a bem-sucedida boy band Take That nos anos 90, explica que é uma forma de provocação. “Primeiramente, foi porque sou britânico e faço música pop. E também porque eu não fazia parte do movimento Britpop (dos anos 1990, de bandas de rock como Oasis e Blur), não me deixaram entrar”, confessou.
Ele acredita que os anos 90 foram a última década em que as coisas tiveram um significado mais profundo, com tempo para absorver as experiências antes que fossem esquecidas. “Hoje em dia, o mundo passa para a coisa seguinte meio segundo depois”, lamenta. Essa década, segundo ele, moldou tanto sua carreira quanto seus momentos de dificuldade, incluindo suas batalhas contra o álcool e drogas.
A perfeição do K-Pop e a admiração pelas imperfeições
Williams expressou admiração pela perfeição e complexidade de grupos de K-Pop como o BTS, mas também sente falta das imperfeições que tornam os artistas mais humanos. “Eles são tão refinados, a coreografia é incrível e tão complexa, os visuais são belíssimos, o figurino é impecável… parece que não tem ninguém feio, ou gordo, ou que não saiba cantar ou dançar direito”, comentou.
“Por um lado, admiro muito a perfeição deles, e, por outro, sinto falta de ver as imperfeições. Adoro aqueles três minutos e meio de beleza estonteante, mas depois fico tipo ‘OK, onde estão os humanos?'”, provocou. A capa de seu álbum “Britpop” traz uma foto icônica de 1995, no festival de Glastonbury, com um dente faltando, simbolizando para ele um momento autêntico.
O controle reconquistado e a busca por propósito
O cantor revelou que, por muitos anos, esteve à margem de sua própria carreira. “Entrei para uma boy band aos 16 anos e fiquei famoso aos 17. Sempre tive meus adultos cuidando de tudo. E nunca questionei muito até o ano passado, quando, já com quatro filhos, percebi que precisava entender o que estava acontecendo com meus negócios”, admitiu.
Ele confessou que muitas vezes nem sabia para qual país estava indo, pois não estava no controle. “Mas agora estou!”, afirma com convicção. Nos shows, Robbie Williams diz ter encontrado um propósito, algo pelo qual vale a pena viver e morrer. Ele se diz impressionado com o alcance de sua carreira, algo que nunca imaginou ser possível vindo de onde ele veio.
A arte como libertação e a homenagem a Morrissey
O sucesso, para Robbie Williams, trouxe um privilégio que vai além do financeiro: o tempo para se dedicar à expressão artística. “Graças ao sucesso, hoje posso escrever ensaios e livros, pintar, desenhar, posso me libertar de mim mesmo”, explicou. Ele vê isso como uma forma de ganhar tempo para mergulhar na expressão de si mesmo.
Uma das faixas de “Britpop” é “Morrissey”, uma homenagem ao icônico cantor britânico. “Fiz essa música há uns oito, nove anos, talvez mais. Naquele dia em particular, acordei e simplesmente quis escrever sobre ele de uma forma bem pop. Acho que a música em si é uma homenagem ao Morrissey, mas também é a antítese dele. Ela é chiclete, leve e descartável”, disse. Ele mantém contato com Morrissey por e-mail, mas de forma discreta.
Expectativas para a Copa e a reflexão sobre a era digital
Como Embaixador Oficial da Música da Fifa, Williams compartilha suas expectativas para a Copa do Mundo. “Adoro assistir à Copa, mas já fomos decepcionados tantas vezes que é inevitável se perguntar: será que eu, como ser humano, consigo embarcar nessa jornada novamente e me proteger das minhas próprias esperanças e sonhos?”, divaga.
Ele compara a Copa à condição humana, uma experiência fantástica independentemente do resultado. Sobre a era digital, expressa um misto de fascínio e receio. “Estamos vivendo algo mais importante e grandioso do que a Revolução Industrial. Estamos vivos para ver isso, essa era da internet, essa nova evolução do ser humano e a perda simultânea da nossa humanidade… para onde isso vai? Em quem nos transformaremos?”, questiona.
Williams descreve o momento atual como assustador e distópico, mas também fantástico. Ele acredita que a humanidade está passando por uma reinicialização em uma escala sem precedentes, comparável à revolução dos anos 60, mas com um impacto muito maior na era da internet. Apesar das divagações políticas e culturais, ele ressalta a beleza intrínseca da vida, comparando-a à natureza.