Polícia busca rapper Oruam e familiares em operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro
O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, sua mãe, Márcia Nepomuceno, e seu irmão, Lucas, são considerados foragidos da Justiça após mandados de prisão e busca e apreensão expedidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) nesta quarta-feira (29). A ação faz parte da Operação Contenção, que visa desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho (CV).
Marcinho VP, pai de Oruam e um dos líderes históricos do CV, que já está preso há quase 30 anos, também é alvo de um mandado de prisão preventiva. A operação busca desmantelar a estrutura financeira da facção, responsável pela movimentação e ocultação de recursos provenientes do tráfico de drogas no estado do Rio de Janeiro.
Oruam já estava foragido desde fevereiro por descumprir medidas cautelares, incluindo o desligamento de sua tornozeleira eletrônica, que registrou 66 violações entre novembro e fevereiro. A prisão preventiva do artista foi decretada no início de fevereiro, mas ele não foi localizado. Conforme informação divulgada pela Polícia Civil, a ação é resultado de uma investigação de cerca de um ano que mapeou a engrenagem financeira da facção.
O rapper Oruam e o histórico de descumprimento de medidas
O rapper Oruam está foragido desde fevereiro deste ano, após o descumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça. Ele utilizava uma tornozeleira eletrônica desde setembro de 2025, quando foi liberado após uma prisão anterior, acusado de tentar impedir uma operação policial em sua residência. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) denunciou Oruam por sete crimes, incluindo tentativa de homicídio.
Contudo, o artista acumulou um número expressivo de violações da tornozeleira eletrônica, totalizando 66 entre novembro e fevereiro. Em 1º de fevereiro, o aparelho foi desligado, e dois dias depois, a prisão preventiva de Oruam foi decretada. Desde então, ele não foi encontrado pelos policiais.
Márcia Nepomuceno, mãe de Oruam, e sua relação com o CV
Márcia Nepomuceno, mãe de Oruam e esposa de Marcinho VP, já foi alvo de outra operação em março deste ano, a Operação Red Legacy, que visava desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho. Segundo as investigações, Márcia atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, facilitando a comunicação entre integrantes e articulações com operadores externos.
No entanto, o status de foragida de Márcia Nepomuceno, neste outro caso, foi revogado em abril por meio de habeas corpus, concedido pela 7ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro. A defesa dos citados ainda não foi localizada pela reportagem.
A Operação Contenção e o braço financeiro do Comando Vermelho
A Operação Contenção, iniciada em outubro do ano passado, tem como objetivo principal desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho. A ação desta quarta-feira cumpre mandados de prisão preventiva em endereços ligados aos envolvidos em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, ambos na zona oeste do Rio de Janeiro. Ao todo, são 12 mandados de prisão.
A investigação, que durou cerca de um ano, mapeou o sistema financeiro da facção, analisando dados de aparelhos eletrônicos apreendidos e cruzando informações telemáticas e financeiras. A Polícia Civil identificou um sistema estruturado para recebimento, distribuição e reinserção de valores ilícitos na economia formal.
Os operadores financeiros recebiam o dinheiro do tráfico de drogas das lideranças do CV e eram responsáveis por fracionar os valores em contas de terceiros, além de usá-los para despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial. A apuração também revelou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados, evidenciando a origem ilícita dos recursos.
Marcinho VP, a liderança histórica do CV mesmo preso
Marcinho VP, pai de Oruam, é alvo de um mandado de prisão preventiva por continuar gerenciando a facção de dentro do presídio. O traficante, de 54 anos, está preso desde os 26. Sua trajetória começou com assaltos na adolescência e ascendeu ao comando do tráfico no Complexo do Alemão, um dos redutos do CV.
Condenado por tráfico e homicídios, Marcinho VP foi preso em 1996. Desde então, segundo a polícia e a Justiça, ele segue liderando o CV e ordenando crimes. Diálogos interceptados indicam que ele mantém a liderança central da facção, mesmo após décadas de prisão. Atualmente, Marcinho VP está no sistema carcerário federal, e a polícia afirma que ele continua dando ordens aos membros do CV nas ruas. Em outubro de 2023, ele teria ordenado a troca de comando da facção no Rio, segundo apuração policial, o que a defesa dele nega.