O Nu Metal Vive: Como o Rock Rebelde dos Anos 90 Conquistou o TikTok e o Rap Atual
Lembra daquela época em que as guitarras pesadas se misturavam a rimas agressivas, com bonés virados para trás e um visual que desafiava o pop açucarado da MTV? Esse era o nu metal, um subgênero do rock que, após um período de relativa obscuridade, está vivendo um impressionante renascimento.
Bandas como Korn, Slipknot e Deftones, que marcaram uma geração com seus riffs inconfundíveis e letras viscerais, estão voltando aos palcos e às paradas de sucesso. O que antes era visto por alguns como uma moda passageira, hoje se prova uma força duradoura, impulsionada pela internet e por novas vertentes musicais.
Essa nova onda de popularidade não se limita apenas aos fãs de longa data. O nu metal está conquistando públicos mais jovens e até mesmo influenciando artistas de outros gêneros, provando que sua energia e sua capacidade de expressar a angústia e a raiva continuam relevantes. Conforme informação divulgada em matérias recentes, o nu metal está experimentando um segundo fôlego.
O Impacto do Nu Metal no Brasil e no Mundo
O vocalista do Deftones, Chino Moreno, afirmou recentemente à rádio KROQ que a banda está “maior do que jamais fomos”. A banda, com mais de 30 anos de história, lotou um palco secundário no Lollapalooza Brasil em março, atraindo uma multidão comparável a de artistas novatos. O Korn, outra gigante do nu metal, também está de volta ao Brasil, com shows que prometem reviver a euforia dos anos 2000.
Nilson Lima, um fã dedicado que batizou seu filho em homenagem ao vocalista do Korn, Jonathan Davis, relembra a época em que o nu metal parecia estar em declínio. “Eu vi o Korn em 2010 no Credicard Hall, estava vazio. Pensei, caramba, a coisa tá feia, esse estilo que eu gosto está acabando mesmo”, conta. Hoje, sua página sobre nu metal no Instagram acumula mais de 300 mil seguidores.
Nu Metal: Mais que Peso, Mensagens e Vulnerabilidade
Apesar de momentos controversos, como o incidente no festival Woodstock 1999, muitas bandas de nu metal transcenderam o rótulo. O System of a Down, por exemplo, destacou-se por seu ativismo, abordando questões como o genocídio armênio e a política dos EUA. O Korn, em seu álbum de estreia, explorou as experiências do vocalista com homofobia e abuso sexual.
Essa vulnerabilidade emocional é uma das chaves para o renascimento do gênero. Bandas como o Tetrarch, que lançou o álbum “Freak” em 2017, foram pioneiras nesse revival. A guitarrista Diamond Rowe explica que a música deles “naturalmente gravitava para esses grandes refrões e sons mais téticos”, combinando peso com melodias cativantes.
A Influência do Nu Metal no Rap e Trap Atual
O nu metal, com suas fortes influências de hip-hop, tornou-se um ponto de partida para sonoridades ecléticas. No rap e trap, o gênero deixou uma marca duradoura, inspirando a estética sombria e lúgubre conhecida como “rage”. No Brasil, artistas como MC Taya, Kouth e Slipmami, cujo nome artístico é uma referência ao Slipknot, incorporam essa influência.
Slipmami, que se inspira em álbuns como “Collision Course” de Linkin Park e Jay-Z, e em rappers como Lil Peep e XXXTentacion, descreve sua música como uma expressão de “raiva feminina” com uma “estética grotesca que, ao mesmo tempo, é emocionalmente densa”. Essa fusão sonora tem chegado ao mainstream do hip-hop nacional, com álbuns de Matuê e MC Lan bebendo dessa fonte.
Um Futuro Promissor para o Nu Metal
A nova onda de popularidade do nu metal se fortaleceu durante a pandemia, com faixas de Deftones e Korn viralizando no TikTok. A energia vibrante dos shows, como a recente apresentação do Korn em Santiago para um público de 55 mil pessoas, demonstra a euforia renovada em torno do gênero.
O guitarrista do Korn, Brian Welch, expressou surpresa com a empolgação da plateia chilena, dizendo que se sentiu “num Woodstock em 2026!”. O nu metal, com sua capacidade de se reinventar e dialogar com novas gerações, mostra que seu legado está mais vivo do que nunca.